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Senhor Palomar

Livros, autores, leituras e edição de livros em geral.

Senhor Palomar

Livros, autores, leituras e edição de livros em geral.

02.Nov.09

Caim, de José Saramago (Caminho), por Eduardo Pitta.

Senhor Palomar
  «Saramago opõe a laicidade à cesura entre sagrado e profano. Nada contra. O óbice releva de inadequação discursiva: «As duas irmãs ficaram grávidas, mas caim, grande especialista em erecções e ejaculações como gostosamente o confirmaria lilith, sua primeira e até agora única amante [...] a coisa simplesmente não se lhe levanta, e se não se lhe levanta a coisa, então não poderá dar-se a penetração...» Não estamos em 1885, quando A Velhice do Padre Eterno, de (...)
22.Out.09

O Mar em Casablanca, de Francisco José Viegas (Porto Editora), por Isabel Coutinho.

Senhor Palomar
  «O que vos podemos contar é que o inspector para conseguir encaixar as peças todas do puzzle que lhe é colocado à frente tem que se confrontar com o seu próprio passado. E por isso Francisco José Viegas regressa a África, território recorrente no seu universo e onde Jaime Ramos não foi feliz. É o regresso à guerra colonial (principalmente na Guiné); à África dos membros do Partido Comunista que acreditaram que ali podiam fazer a revolução; à África do sangrento 27 de (...)
16.Out.09

Ponto último, de John Updike (Civilização), por José Mário Silva.

Senhor Palomar
     «Na principal sequência, que dá título ao livro, Updike empreende uma espantosa reflexão sobre o tempo e o envelhecimento, balizada pelos aniversários da «década em que a maior parte das pessoas morre» (isto é, para lá dos 70 anos) e pelas visitas ao hospital, poucas semanas antes da morte, com um cancro que minou os seus pulmões, «fantasmas patéticos e oblongos». À beira do fim, o escritor olha para trás sem azedume ou excessiva tristeza, recuperando memórias de (...)
14.Out.09

Algo para te dizer, de Hanif Kureishi (Teorema), por Eduardo Pitta.

Senhor Palomar
      «Porém, mais do que a crítica social (oriundo da alta classe média paquistanesa, Kureishi nasceu e cresceu na periferia proletária do sul de Londres, onde os pais se radicaram depois de fugir da Índia), o sexo é o Leitomotiv da obra. E um livro como este ilustra bem a máxima do autor: «os círculos adjacentes do prazer são múltiplos». Mérito maior, Algo para te dizer prova que Kureishi deixou de ter vergonha de ser paki.» Ler na íntegra aqui (...)
13.Out.09

Trotsky, por Robert Service.

Senhor Palomar
    «Trotsky, like Mao and to some extent Lenin, has long been one of those Communist titans who, for some, achieved the status of fashionable radical saints, even in the democracies that they would have destroyed in an orgy of bloodletting. Trotsky’s glamour derives from his role as Stalin’s greatest enemy, but he was also wonderfully equipped for his role as revolutionary statesman – and to be a hero to misguided Westerners and schoolboys.» Review do The Telegraph (...)
11.Out.09

2666, de Roberto Bolaño (Quetzal), por José Mário Silva.

Senhor Palomar
    «Embora esteja dividido em cinco partes, que funcionam como cinco livros autónomos, pode dizer-se que o centro gravítico de 2666 é a imaginária cidade de Santa Teresa, no deserto de Sonora (norte do México, perto da fronteira com o Arizona), onde vão aparecendo, entre 1993 e 1997, centenas de cadáveres de mulheres pobres – prostitutas, empregadas de mesa, operárias fabris –, (...)
10.Out.09

O Túnel, de Ernesto Sabato (Relógio D'Água), por Eduardo Pitta.

Senhor Palomar
    «Sem deixar de ser um romance, O Túnel é um ensaio sobre o ciúme. Num autor como Sabato, as ideias não perturbam a polifonia da intriga. Juan Pablo desconfia de María: «Compreenderás agora porque te interroguei muitas vezes sobre a verdade das tuas sensações. Recordo-me sempre do pai de Desdémona advertindo Otelo de que uma mulher que enganara o pai podia enganar outro homem.» Tudo começou no Salão da (...)
22.Set.09

Viagem pela Europa, de Giuseppe Lampedusa (Teorema), por Eduardo Pitta.

Senhor Palomar
    «O estilo é coloquial, de acordo com as regras do género. No essencial, «descrevem o itinerário estival típico de Lampedusa nos anos vinte: uma longa viagem europeia, iniciada por uma prolongada estadia inglesa e seguida de uma breve volta à França e de uma escapada à Áustria, antes do encontro com a mãe para uma estada no Tirol.» Escritas entre Julho de 1925 e Setembro de 1930 (...)