Este é um blogue livre de pontos de exclamação

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Segunda-feira, 2 de Novembro de 2009

 

«Saramago opõe a laicidade à cesura entre sagrado e profano. Nada contra. O óbice releva de inadequação discursiva: «As duas irmãs ficaram grávidas, mas caim, grande especialista em erecções e ejaculações como gostosamente o confirmaria lilith, sua primeira e até agora única amante [...] a coisa simplesmente não se lhe levanta, e se não se lhe levanta a coisa, então não poderá dar-se a penetração...» Não estamos em 1885, quando A Velhice do Padre Eterno, de Guerra Junqueiro, provocou tumultos de rua. Hoje, as peculiares idiossincrasias de Saramago não incomodam ninguém. Sobretudo porque o efeito “máquina do tempo” (Caim protagoniza episódios em épocas diferentes) anula o efeito de provocação.» Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 00:43
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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

mar

 

«O que vos podemos contar é que o inspector para conseguir encaixar as peças todas do puzzle que lhe é colocado à frente tem que se confrontar com o seu próprio passado. E por isso Francisco José Viegas regressa a África, território recorrente no seu universo e onde Jaime Ramos não foi feliz. É o regresso à guerra colonial (principalmente na Guiné); à África dos membros do Partido Comunista que acreditaram que ali podiam fazer a revolução; à África do sangrento 27 de Maio de 1977.» Ler na íntegra aqui.



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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

 

  

«Na principal sequência, que dá título ao livro, Updike empreende uma espantosa reflexão sobre o tempo e o envelhecimento, balizada pelos aniversários da «década em que a maior parte das pessoas morre» (isto é, para lá dos 70 anos) e pelas visitas ao hospital, poucas semanas antes da morte, com um cancro que minou os seus pulmões, «fantasmas patéticos e oblongos». À beira do fim, o escritor olha para trás sem azedume ou excessiva tristeza, recuperando memórias de infância, paisagens, a história do seu percurso literário e uma ironia que redime as agruras da decadência física. Ele é o velho senhor que sugou a vida até ao tutano, capaz por isso de enfrentar as traições da velhice – já não perceber como se abre a tampa da gasolina; o corpo devassado pelos médicos – com mais resignação do que melancolia.» Ler na íntegra aqui.



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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009

 

 

 

«Porém, mais do que a crítica social (oriundo da alta classe média paquistanesa, Kureishi nasceu e cresceu na periferia proletária do sul de Londres, onde os pais se radicaram depois de fugir da Índia), o sexo é o Leitomotiv da obra. E um livro como este ilustra bem a máxima do autor: «os círculos adjacentes do prazer são múltiplos». Mérito maior, Algo para te dizer prova que Kureishi deixou de ter vergonha de ser paki.» Ler na íntegra aqui.



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Terça-feira, 13 de Outubro de 2009

 

 

«Trotsky, like Mao and to some extent Lenin, has long been one of those Communist titans who, for some, achieved the status of fashionable radical saints, even in the democracies that they would have destroyed in an orgy of bloodletting. Trotsky’s glamour derives from his role as Stalin’s greatest enemy, but he was also wonderfully equipped for his role as revolutionary statesman – and to be a hero to misguided Westerners and schoolboys.» Review do The Telegraph.

 



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Domingo, 11 de Outubro de 2009

 

 

«Embora esteja dividido em cinco partes, que funcionam como cinco livros autónomos, pode dizer-se que o centro gravítico de 2666 é a imaginária cidade de Santa Teresa, no deserto de Sonora (norte do México, perto da fronteira com o Arizona), onde vão aparecendo, entre 1993 e 1997, centenas de cadáveres de mulheres pobres – prostitutas, empregadas de mesa, operárias fabris –, assassinadas quase sempre após tortura e violação sexual, sem que as autoridades policiais, incompetentes e misóginas, consigam deslindar os crimes.» Ler na íntegra aqui.



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Sábado, 10 de Outubro de 2009

 

 

«Sem deixar de ser um romance, O Túnel é um ensaio sobre o ciúme. Num autor como Sabato, as ideias não perturbam a polifonia da intriga. Juan Pablo desconfia de María: «Compreenderás agora porque te interroguei muitas vezes sobre a verdade das tuas sensações. Recordo-me sempre do pai de Desdémona advertindo Otelo de que uma mulher que enganara o pai podia enganar outro homem.» Tudo começou no Salão da Primavera de 1946 (no hemisfério sul, a Primavera é em Setembo), quando Juan Pablo expõe o quadro que desencadeará a suas obsessões. O interesse de María por determinado detalhe da obra, detalhe a que ninguém prestou atenção excepto aquela rapariga que ele não sabe quem é, leva-o a um atropelo de congeminações. Vão passar meses até que a encontre. A solidão é uma cicatriz insuportável, mas Juan Pablo depressa descobre que a presença de María não serve de lenitivo. A dúvida persegue-o: foi, ou não foi traído por ela?» Ler na íntegra aqui.



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Quinta-feira, 24 de Setembro de 2009

Ler aqui. Recorde-se que a obra foi lançada em Portugal pela recém-lançada Objectiva, que tem ao leme Alexandre Vasconcelos (Ex-Dom Quixote, ex-Caderno).



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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009

 

 

«O estilo é coloquial, de acordo com as regras do género. No essencial, «descrevem o itinerário estival típico de Lampedusa nos anos vinte: uma longa viagem europeia, iniciada por uma prolongada estadia inglesa e seguida de uma breve volta à França e de uma escapada à Áustria, antes do encontro com a mãe para uma estada no Tirol.» Escritas entre Julho de 1925 e Setembro de 1930 (salvo uma de Outubro de 1938, dirigida à tia Teresa), são as cartas de um homem solteiro que se entusiasma com as corridas de galgos que faziam furor em Londres. Não se pode dizer que sejam especialmente emocionantes. Não seria honesto fazer comparações com, por exemplo, Sade ou Sylvia Plath. Mas podemos fazê-las com Cesare Pavese, até pela coincidência do período temporal. E Lampedusa sai a perder. Mesmo doublé de Falstaff siciliano.» Ler na íntegra aqui.



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Sábado, 12 de Setembro de 2009

 

Ler no N.Y.Times a recensão à obra Why are jews liberals, de Norman Podhoretz (Doubleday).



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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

 

 

«De Profundis / Carta a Bosie tornou-se, provavelmente contra vontade de Wilde, o texto fundador da literatura gay, conceito posterior a 1969, da responsabilidade dos escritores reunidos no grupo do Violet Quill: Andrew Holleran, Edmund White, Felice Picano e outros. O à-vontade com que Wilde se refere à vida em comum com o filho do marquês de Queensberry era, de facto, uma novidade absoluta no início do século XX: «Evidentemente que me deveria ter desembaraçado de ti. Deveria ter-te sacudido da minha vida como um homem sacode do vestuário qualquer coisa que se lhe pegou.» Wilde não usa de parcimónia: vícios, perversões, dívidas, visitas a bordéis masculinos, amargura e violência doméstica, tudo é recordado com minúcia: «entre o Outono de 1892 e a data da minha prisão despendi contigo para cima de 5000 libras em dinheiro actual, sem levar em consideração as contas que assinei»». Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 00:20
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Segunda-feira, 7 de Setembro de 2009

 

«Em Os Desaparecidos, Mendelsohn narra minuciosamente esta obsessão que o levou a viajar pelo mundo durante anos (da Austrália a Israel, de Viena a Riga, de Praga a Copenhaga) em busca de sobreviventes de Bolechow que lhe pudessem contar qualquer pormenor, ínfimo que fosse, relativo àqueles seis judeus concretos – seis judeus devorados pela História mas nunca reduzidos, pelo seu descendente, a uma mera metonímia dos outros seis milhões de vítimas de um dos maiores crimes colectivos alguma vez perpetrados. Pouco a pouco, com persistência e astúcia, lutando contra um abismo temporal de seis décadas (essa «fenda que se abriu entre o acontecimento e o seu relato, um vazio onde tanta coisa caiu»), Mendelsohn consegue resgatar, in extremis, «pontas de informação» minúsculas e nalguns casos contraditórias que o levam, através de um labirinto de suposições, falsas pistas, coincidências, enganos e golpes de sorte, até uma narrativa plausível do que se terá passado em Bolechow, nos dias do terror, da solidariedade heróica e da traição mais vil.» Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 00:19
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
«No Bosque do Espelho toma como ponto de partida a obra-prima de Lewis Carroll, adoptando como divisa o mot de Heraclito: «Nunca mergulhas no mesmo livro duas vezes». Trata-se de uma colectânea de ensaios de muito diversa proveniência: artigos encomendados, textos para cursos de jornalismo das artes, conferências, recensões críticas, antologias gay, introduções e posfácios. Manguel estabece um fio condutor entre textos de Borges, Cortázar, Chesterton, Melville, Cynthia Ozick, Santo Agostinho e outros. Do ponto de vista da erudição e do ofício, tem a perfeição do amanuense culto. Mas raramente nos surpreende com um golpe de asa.» Ler na íntegra aqui.

publicado por Senhor Palomar às 00:46
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009
«Embora não seja discernível uma estrutura musical evidente, há linhas melódicas que se propagam através do livro, com uma certa cadência, uma certa entoação, repetindo-se aqui e ali como um retornelo (não por acaso, o título original é Ritournelle de la Faim). Também não por acaso, o único momento histórico em que Ethel e a verdadeira mãe do autor coincidem é a estreia do Bolero de Ravel. Essa peça que parece «uma profecia» e leva os instrumentos até aos seus limites, «até à estrangulação, até quebrarem as cordas e as vozes, até quebrarem o egoísta silêncio do mundo». O mesmo efeito que Le Clézio, com menos violência e menos estrépito, acaba por conseguir neste romance belíssimo, melancólico mas nunca resignado.»
Ler na íntegra aqui.


publicado por Senhor Palomar às 00:21
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
«Esta é uma bela história verídica, contada vinte anos mais tarde, com extraordinária delicadeza e num tom elegíaco sempre justo, por Erik Orsenna – a quem couberam, naqueles dois verões de empenhamento colectivo em prol da literatura, as passagens «mais atrevidas» da obra-prima nabokoviana. A história real, essa, teve um desfecho menos feliz do que a sua versão romanesca. Insatisfeita com o resultado do trabalho de Chahine e seus cúmplices, a Fayard entregou o material a Jean-Bernard Blandenier, a quem coube concluir a atribulada viagem de Ada até à língua francesa.»

Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 12:14
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
«admito, eu também andava a salivar com a perspectiva de ler um livro do Pynchon, e não é por achá-lo encantadoramente idiossincrático, aquilo de não aparecer, de não dar a cara, isso também o fazem as senhoras que se prostituem e que vão falar do assunto à júlia pinheiro, passe a redundância, na verdade convenci-me de que seria mais um americano que valeria a pena conhecer, já que ainda os desbastei pouco, aos americanos, o que é uma vergonha, na verdade já apareci uma vez na capa do Avante e portanto há que gostar dos ianques com parcimónia, imperialistas e o raio, bons são os chineses, comezinhos e progressistas, mas adiante, queria só dizer que não gostei d'O Leilão do Lote 49, talvez porque não é para o meu arcaboiço intelectual que tem a espessura de uma cintura do darfur, talvez porque a saraivada de personagens que vêm à liça fazer pilhéria da protagonista me tenha feito suspirar pelos mestres russos, talvez porque os poucos momentos de irrisão me façam ter saudades do anarco-tom sharpismo, mais escorreito, menos hermético, mais à minha moda, talvez porque nunca ando com analgésicos na mochila que ajudem a dissipar o nó nos miolos, e pior, ontem debulhava as últimas páginas do canhenho enquanto no metro, à minha volta, deambulavam um aleijado com o braço ao peito e olhos rancorosos, uma preta sem uma perna apoiada numa muleta de pau, umas dúzias de zombies de agosto muito mal-encarados, e eu a julgar-me também entalado na asfixiante conspiração Trystero ou lá do que é que o romance fala, e não me venham com semióticas e alegorias e o caralho, eu já só suava e acabei por ver a luz no topo das escadas rolantes do Rato, local onde encontrei um indivíduo que considero intelectualmente, sendo que o mesmo me confidenciou nunca ter acabado um Pynchon, ah leão, que alívio, aqui temos o nosso pequeno segredo de polichinelo.

e encerro com uma apreciação à monumental razia feita pela relógio d'água aos acentos do livro, graves ou agudos, sem esquecer o massacre de cedilhas, aliás, só não falo de genocídio ortográfico porque tenho medo que algum turco agressivo me ande a ler e que julgue estar-se aqui a tratar daquela merda dos arménios, quando a questão é muito, mas muito mais simples, chama-se revisão e assim. vejam lá isso, pá. os autores de culto e seus leitores agradecem. os outros, ligeiramente menos masturbatórios, também
»

Aqui.

O Senhor Palomar pede desculpa a Pedro Vieira por ter colocado o post na íntegra ("um grunho vai atrás do hype e depois fode-se"), mas não resistiu.


publicado por Senhor Palomar às 11:43
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«Há três anos, um inquérito a escritores, críticos e editores, patrocinado pelo New York Times, com enfoque em obras de Philip Roth, Cormac McCarthy, John Updike, Don DeLillo, Thomas Pynchon, etc., deu o primeiro lugar a Beloved (1987), de Toni Morrison, considerando-o o melhor romance dos últimos 25 anos. A decisão, muito controversa, não impediu Beloved de continuar a ser citado nos primeiros lugares de todas as listas que se fizeram dos dois lados do Atlântico. Morrison, nascida em 1931, professora na Universidade de Princeton, recebeu todos os prémios que há para receber, incluindo (em 1993) o Nobel da Literatura. Foi a primeira escritora negra a conseguir a proeza. Quando comparada com Virginia Woolf, ficou famosa a resposta que deu: «Prefiro identificar-me como uma escritora mulher e negra mesmo.» Na ocasião aproveitou para lembrar que à outra (a Virginia) ninguém suscitaria questões de género.» Ler na íntegra aqui.

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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009

«Ficamos perplexos com o título. “Jesusalém”, à primeira vista, parece ser “Jerusalém” [título de um romance de Gonçalo M. Tavares também publicado na Caminho]. Não é. Mia Couto sabia que o título podia ser complicado e hesitou - por alguma razão no Brasil a Companhia das Letras mudou o título para “Antes de Nascer o Mundo”. E o livro, que numa primeira versão terminava com a frase “Aqui está Jesusalém” (pág. 293), acabou por crescer. Mia Couto acrescentou parágrafos a partir dessa frase e deu ao romance um final mais optimista.» Isabel Coutinho.

«E esse é talvez o mérito maior de “Jesusalém”: ser um texto pouco óbvio, que bate territórios como a infância, o poder e o sagrado com a leveza mentida de um menino que joga bola descalço. Mais uma prova de que a musicalidade e a poesia das palavras quentes de Mia Couto são o camuflado perfeito para atacar grandes questões.
» Hélder Beja.

publicado por Senhor Palomar às 00:56
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
Crítica ao livro que conta a história dos criadores e criação do Facebook. No The Economist. A Lua de Papel já anunciou que irá publicar a obra em Portugal.

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Sábado, 8 de Agosto de 2009
Ler aqui. Ler aqui a crítica da PW que está na origem deste artigo do The Guardian.

publicado por Senhor Palomar às 01:02
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
«Abstinência trata de um tema que está na ordem do dia: educação sexual no ensino básico. Aqui não há alunas com gravadores escondidos, como na Escola Sá Couto, mas o teinador de futebol Tim Mason, um antigo toxicodependente que trocou as drogas duras pela religião, transformando-se numa espécie de guerreiro de Deus, tem um comportamento simétrico ao das mães que deram origem ao escândalo de Espinho.» Ler na íntegra no Da Literatura.

publicado por Senhor Palomar às 00:58
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
Ler aqui.

publicado por Senhor Palomar às 04:38
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
«Nesta novela, Miguel Real quis mostrar como funciona a cabeça de alguém à beira de cumprir o seu sonho de grandeza e poder, alguém que toda a vida esperou o momento de exorcizar o «buraco de infortúnio» que foi o seu passado. Mas, sejamos claros, este engenhoso reductio ad absurdum é sobretudo o veículo para uma crítica feroz às políticas educativas do actual governo.» Ler na íntegra aqui.

publicado por Senhor Palomar às 02:12
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
«A fluência da escrita nunca é perturbada pelas inúmeras e oportunas notas de rodapé, que tanto dizem respeito a T. S. Eliot e Fernando Pessoa como a bandas de rock e sufistas australianos para mim absolutamente desconhecidos. Um verdadeiro melting pot que vai de Marx a Ruy Castro. E não, não são artiguinhos colados. É uma colecção de textos coerentes, com boas reproduções fotográficas, que merecia uma capa, como direi?, menos light.» Ler na íntegra aqui.

publicado por Senhor Palomar às 00:57
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Ler aqui.

publicado por Senhor Palomar às 00:51
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Domingo, 26 de Julho de 2009
O mais recente livro do vencedor do Booker, pela obra "O Tigre Branco" (Editorial Presença), foi analisado pelo The Independent. Ler aqui.

publicado por Senhor Palomar às 00:34
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Sábado, 25 de Julho de 2009
Aqui.

publicado por Senhor Palomar às 15:30
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Ler no The Times.

publicado por Senhor Palomar às 15:27
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«Uma história de imigrantes e das consequências do fukú (maldição) que não poupa ninguém, nem o poderoso clã Kennedy. Por exemplo: o avião de John-John despenhou-se a caminho de Martha’s Vineyard porque a cozinheira era dominicana e estava a cozinhar chicharrón de pollo, o seu (dele) prato favorito. Mas «o fukú é sempre o primeiro a comer, e come sozinho.»

Não se julgue, porém, que Díaz aposta no realismo mágico. Muito pelo contrário. A sua escrita é a de quem reflecte com acrimónia sobre a ditadura de Trujillo, da qual escapou a tempo (era uma criança). Alguém com os pés bem assentes na terra. De tal modo que, acerca da invasão da República Dominicana, perpetrada pela administração Lyndon B. Johnson em Maio de 1965, comenta: «Santo Domingo foi o Iraque antes de o Iraque ter sido o Iraque.» Um episódio entre vários.» Ler na íntegra aqui o texto de Eduardo Pitta (contém spoilers).


É um livro notável. Está na lista (em construção) do Senhor Palomar para livro de ficção do ano.


publicado por Senhor Palomar às 14:28
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
«O principal mérito de JLBG, na arriscada deambulação por uma paisagem emocional instável, é não ceder um milímetro que seja ao sentimentalismo. Em vez de pathos, um desalento que nos chega através de elipses bem trabalhadas e da sintaxe precária, sempre à beira de esboroar-se. A atenção concentra-se nos pormenores: o fato «para levar no esquife» pousado sobre a cama; a barba que continuou a crescer depois da morte; recordações felizes da intimidade (o filho, de joelhos, cortando as unhas dos pés ao pai); a SMS enviada para um telemóvel agora sem préstimo (porque nem sequer vale a pena ligar para Deus); o antidepressivo que se toma como uma «hóstia alegre», uma «unidose de euforia».

Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 02:25
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009
ou
Como o Camarada-Chefe do Inacabado guarda histórias por contar
atrás do armário da avó e como para certas coisas não há explicação,
há somente o «pois é»


Numa tentativa de dar início a este texto, a senhora Palomar pensou em pincelá-lo com variadas formas estilísticas, dar um aspecto elaborado à coisa, decerto na vã tentativa de se apropriar sem qualquer pudor do estilo vanguardista de Sasa Stanisic. Mas o facto é que o tempo e a habilidade escasseiam em iguais doses. Permitam-me, então, que corte caminho e opte por levantar, assim, sem mais, um pouco o véu:

«Se tu tiveres o chapéu na cabeça e agitares a varinha, serás o feiticeiro de capacidades mais poderoso dos países não alinhados. Poderás revolucionar muita coisa, contanto que isso seja conforme com as ideias de Tito e esteja em concordância com os estatutos da Liga dos Comunistas da Jugoslávia […] O dom mais valioso é a invenção, a maior riqueza, a fantasia. Fica sabendo isso Aleksandar, disse o avô, a sério, quando me pôs o chapéu na cabeça, fica sabendo isso e imagina o mundo mais belo.»

Vamos ao que vamos. Falemos de magia. Falemos de Como o soldado Conserta o Gramofone, a obra inaugural deste autor bósnio:

Aleksandar dá a voz e nem sempre o corpo. Visegrad, a pacata cidade da Bósnia onde vive, serve o propósito de um cenário tão fora do comum como a infância do narrador. Consta que a sua idade ronda os oito e os catorze anos, conforme as conveniências. Filho de pai sérvio e de mãe bósnia muçulmana, Aleksandar é um meias, uma mistura. É um jugoslavo e, portanto, está a desagregar-se. O dom de contar histórias, herdou-o do avô, a promessa de continuar sempre a contar quebrá-la-á mais à frente, quando a realidade de uma pátria falecida lhe entrar pela janela com a fúria das chuvas torrenciais. Tudo a seu tempo. Para já, «se houver histórias em qualquer lado, eu estou em qualquer lado.»

Se é certo e sabido que não há novidade alguma na técnica narrativa de recorrer ao olhar de uma criança para expor os horrores e o absurdo de uma guerra, manter o equilíbrio entre uma ingenuidade descomedida e a tentação de pintar um quadro excessivamente mórbido é já pisar uma outra pátria, principalmente tratando-se de um romance autobiográfico, como é o caso. Mas que delícia descobrir que Sasa Stanisic se mantém no fio da navalha com a perícia dos grandes contadores de histórias. Em Como o Soldado Conserta o Gramofone, a Guerra dos Balcãs submete-se às tonalidades do arco-íris reflectido nas águas de um Drina atrevido, e o dia-a-dia toma a forma de uma manta de retalhos agridoce entretecida pelo engenho de Aleksandar, o camarada-chefe do inacabado, título glosado na obra e que serve de porta-estandarte ao personagem.

O relato é feito em vaivéns de pré e pós guerra, com inserções de episódios do próprio conflito, e está dividido por capítulos, cujos enunciados são um mimo literário, um preâmbulo que pressagia a gargalhada solta, o sorriso embevecido ou a lágrima compassiva que, nestas 382 páginas, estão sempre à espreita. Sasa Stanisic não faz juízos de valor explícitos, não se envolve em ensaios histórico-pollíticos, não tenta espetar -nos a sangue frio imagens de atrocidades e selvajaria. O que realmente nos impossibilita de ficar imunes a esta leitura é a suavidade com que Aleksander nos faz mergulhar na crua realidade da história de todas as guerras e de todos os refugiados. Atento ao pormenor, e detentor de uma imaginação prodigiosa e de um talento para a fantasia , com a dose certa de humor, ironia e um atrevimento enternecedor, descreve o quotidiano na forma de anedotas rocambolescas − a festa de inauguração de uma retrete interior que se cruza com recordes do mundo de dor de barriga, o peso da mágoa de uma traição amorosa ou a raiva se ser superado num jogo de Tetris, um avô triste que se casa com o Drina, as três mortes de Tito, a obstinação de um peixe-gato com óculos, um camarada professor que deixa de ser camarada e exige ao aluno o uso de aspas nos diálogos das redacções … Mas a perda, a nostalgia e a dor também marcam presença e podemos encontrá-las nas muitas dúvidas e desejos desta criança que sofre com destruição do seu mundo, que vê demasiados cadáveres a afundarem-se nas águas do seu amado Drina −«A que saberia, se tivesse um sabor? A que sabe um tal cadáver? Um rio também é capaz de odiar, tu que achas?»− e que é obrigada a refugiar-se na Alemanha.

Se Aleksandar fosse feiticeiro de capacidades as coisa poderiam opor-se, os corrimãos, os gramofones, as espingardas, as casas não se consumiriam em chamas, tocariam promessas com a mestria de Bach e teriam um reportório de músicas tão variado e imprevisível como os estados de espírito que moram dentro de cada um dos seus habitantes; as recordações teriam o mesmo sabor do seu gelado favorito; as nuvens seriam pegajosas como teias de aranha para que as granadas ficassem presas nela;

A tonalidade e a melodia de Como um Soldado Conserta o Gramofone faz-nos querer voltar a ser crianças; a aparente ingenuidade disfarçada de prosa é comovente e assustadora. Nota-se pinceladas de prémio Nobel na recorrência à ponte sobre o Drina, não sei se propositadas. Esta obra é pura magia.

Sinopse aqui. Biografia do autor aqui.

Como o Soldado Conserta o Gramofone, Sasa Stanisic, Quetzal Editores. Tradução de Paulo Osório de Castro e revisão de Pedro Ernesto Ferreira.


publicado por Senhor Palomar às 08:30
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
«O que levará críticos conspícuos a considerarem Rachel Cusk (n. 1967) uma espécie de Jane Austen do século XXI, como apareceu escrito no Times Literary Supplement, ou mesmo a falar de Stendhal? Em 2003, quando a revista Granta incluiu o seu nome na lista dos vinte melhores jovens romancistas britânicos, já ela havia publicado cinco romances. Arlington Park é o sétimo. O livro integrou a lista de finalistas do Orange Prize, e se Rachel o tivesse ganho teria sido o quarto prémio em dez anos. Isto para dizer que a autora, docente do New College de Oxford, é hoje um nome de referência da literatura de língua inglesa.»

Ler na íntegra aqui.


publicado por Senhor Palomar às 00:50
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Quarta-feira, 15 de Julho de 2009
No The Guardian.

publicado por Senhor Palomar às 00:25
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Terça-feira, 14 de Julho de 2009
«Sem qualquer tipo de constrangimento temático, Tavares demonstra aqui o vasto espectro dos seus interesses. Se uma crónica faz a exegese de uma canção de Adoniran Barbosa, outras abordam a impossibilidade da Bélgica, a «filosofia portátil» do cavaquinho, os problemas associados ao progresso tecnológico ou o futuro do jornalismo. Surgem ainda questões linguísticas, pequenos ensaios literários (sobre Kurt Vonnegut, Eça de Queirós, António José da Silva) e reflexões intemporais sobre a infância, a vida nas cidades ou o próprio acto de escrever. Não por acaso, os textos menos interessantes são os que nascem da tal actualidade de que o autor queria fugir (referendo para a despenalização do aborto, eleições presidenciais nos EUA).»

Ler na íntegra aqui.



publicado por Senhor Palomar às 00:25
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Sábado, 11 de Julho de 2009
O Babelia do El País traz hoje uma recensão ao último volume de ensaios de Milan Kundera. Ver aqui.

publicado por Senhor Palomar às 13:05
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Quinta-feira, 9 de Julho de 2009
«O problema está na escrita de Sena-Lino, no excesso metafórico, na ênfase lírica que boicota ou entorpece demasiadas vezes o processo ficcional, no abuso de expressões gongóricas («a profundidade secreta da sua alma», o olhar que golpeia «de eternidade», os amantes «rasgando-se num relâmpago interior de prazer», etc.) que se tornam cansativas, mesmo sabendo que a narradora, a tal monja reclusa do século XVII, teria forçosamente que escrever num estilo barroco, para ser fiel à sua natureza e ao seu tempo.»

O Senhor Palomar, já se sabe, discorda da apreciação do crítico literário José Mário Silva. Ver aqui. Diga-se, contudo, que na blogosfera JMS foi bem mais suave do que na versão impressa do jornal. Ainda bem.


publicado por Senhor Palomar às 00:11
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Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
«Os melhores textos, porém, não são os de pendor político. São os outros. Aqueles em que Saramago se liberta da pose de intelectual empenhado e evoca escritores (Eduardo Lourenço, Jorge Amado, Carlos Fuentes) ou figuras que admira (Rita Levi-Montalcini, Federico Mayor Zaragoza, Baltasar Garzón), fala dos seus cunhados ou de Susi (a «elefanta solitária» e triste do jardim zoológico de Barcelona), reflecte a partir de um mote («como serão as coisas quando não estamos a olhar para elas?») ou demonstra uma surpreendente generosidade (ao antever, por exemplo, um futuro Nobel da Literatura para Gonçalo M. Tavares).»

Este texto, da qual se reproduz um excerto, deu origem a uma resposta do Nobel da Literatura, que por sua vez foi objecto de réplica por José Mário Silva.

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Sábado, 4 de Julho de 2009
«É uma arte da miniatura, já o dissemos. Mas também arte da elipse, da suspensão, dos suaves enganos. Tudo feito com elegância, aprumo, vontade de descobrir atalhos. «Eu era velho e inventava coisas novas», diz Listopad, cheio de razão, com a certeza de quem também afirma: «São as paisagens que variam e se repetem, projectando-se nos ecrãs dos sonhos sonhados, na textura dos textos, nos quadros ainda não pintados. Não perguntem porque é assim. É assim.» E é mesmo.

Ler na íntegra aqui.

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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
«É justamente o processo de invenção das letras associadas a sons que Pedro Foyos descreve neste livro, atribuindo-o a um homem «bom de coração» que, enquanto cria o novo alfabeto (moldado com hastes de vimeiro), incorpora nele as histórias e os factos do mundo que o rodeia. As letras tanto se inspiram nos dentes de um arado como nas mudanças de paradigma religioso (o «deus único» solar imposto por Akhenaton), na forma de um almofariz como nas conspirações políticas que agitam a cidade; ou ainda nos diálogos filosóficos entre o Criador de Letras e uma sábia oliveira milenar (Mãe Taât).»

Ler na íntegra aqui.

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Terça-feira, 30 de Junho de 2009
«Neste livro que reúne meia centena dos seus «melhores poemas», de Livro de Silbion (1963) a Sonetos do Paiol ao sul da Aurora (1997), Nejar oferece ao leitor uma viagem-relâmpago ao fulcro da sua obra, por muito que a «apertadíssima escolha» provoque no poeta português António Osório, autor da nota introdutória, uma não escondida perplexidade: «Mas como ousou Carlos Nejar, senhor de uma obra imensa [perto de 30 títulos], reduzi-la a… 50 poemas? E os “melhores”, porquê os melhores? Os outros, as inúmeras centenas, não contam? Serão eles menores?»

Ler na íntegra aqui.

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«O seu último romance, O filho da mãe, um projecto encomendado (o autor teria de passar três meses numa cidade estrangeira e situar lá o plot), tem São Petersburgo como cenário. O título tem que ver com o facto de existir uma associação de mães que zela pelos interesses dos filhos destacados à força para a Tchetchénia. Bernardo Carvalho viveu em São Petersburgo durante uns meses. Um susto. O livro fala da nova Rússia. A Rússia dos arqui-milionários, do consumismo desenfreado, das máfias. A Rússia que deixou de ser URSS mas não abdicou do ocupar a Tchetchénia. Fala de desespero e humilhação: oficiais do exército russo que obrigam recrutas e soldados a prostituirem-se com homens.»

Ler na íntegra aqui.

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Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
« Thomas Bernhard, prolífico autor de uma das obras mais importantes da segunda metade do século XX, reuniu um conjunto de textos sobre os vários prémios que recebeu ao longo da vida, anexando-lhes alguns dos discursos que proferiu em tão solenes ocasiões. Entre a constatação da ignorância de parte considerável dos presentes nas cerimónias e o registo de algumas preocupações de cariz existencial que extravasam a temática dos prémios, a verve de Bernhard produz um discurso frontal, certeiro nos seus alvos e nada encantado pelas luzes da ribalta. Assumindo que aceita os prémios porque o dinheiro lhe faz falta, o autor de Frost não se poupa a descrições pormenorizadas, algumas hilariantes (apesar do tom sério), das cerimónias. Entre croquetes e cumprimentos, há muito pouca literatura.»

Ler na íntegra aqui.

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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
A não perder no Ípsilon de hoje a reportagem de Alexandra Prado Coelho dedicada a "Veneza", de Jan Morris (Tinta-da-China), que conta com testemunhos da autora. Tradução de Raquel Mouta (excelente, segundo avança o coordenador desta colecção de viagens, Carlos Vaz Marques).

Ler ainda a crítica de Eduardo Pitta, que atribui 5 estrelas à obra: «Morris adverte que não se trata de um livro de história, nem de um guia, nem sequer de uma reportagem. Ignore os avisos. O índice remissivo contém todas as referências importantes, e uma cronologia entre o ano 421 e 1960 não deixa nada de fora. O índice onomástico é precioso. Convém perceber que falamos de uma sociedade fechada: «Veneza nunca foi amada. Sempre esteve à parte, sempre foi invejada, sempre suspeita, sempre temida. [...] Era o leão que caminhava sozinho.» Ler na íntegra aqui.

O Senhor Palomar já tinha falado desta obra aqui.

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«Desde o início, impressiona a coerência de um pensamento sobre a arte que se desenha e reitera ao longo de todos os textos. Um dos tópicos mais glosados é o da sinceridade do artista, que, na óptica do autor, serve para o distinguir de um teorizador, na medida em que as ideias podem ser discutidas e contestadas racionalmente, mas o mesmo não se pode fazer em relação a uma obra de arte: «Se uma obra de arte nos não fala, ela puramente não existe.»

Ler na íntegra aqui.

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Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
«Armistead Maupin é um escritor e jornalista laureado, combateu no Vietname (1967-70) como fuzileiro naval, assumiu publicamente a sua homossexualidade em 1974 e, em 2007, casou com o fotógrafo Christopher Turner. Michael Tolliver está vivo, o seu mais recente romance, chegou às livrarias portuguesas numa tradução irrepreensível de Duarte Sousa Tavares.»

Ler aqui na íntegra o texto de Eduardo Pitta.

publicado por Senhor Palomar às 02:44
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Quarta-feira, 24 de Junho de 2009
«Ao alternar as entradas dos dois diários, Barry traça pouco a pouco o perfil de duas pessoas à beira da desintegração. Roseanne, vítima há várias décadas de uma história de vingança familiar que levou ao seu internamento à força, a pretexto de uma loucura inexistente, agarra-se ao passado com unhas e dentes, tentando resgatar uma versão dos factos que a memória – falível – pode ter entretanto distorcido. A Irlanda que emerge deste relato é escura, brutal, sangrenta, com o ódio entre católicos e protestantes a envenenar tudo, mas há também momentos de um lirismo luminoso, como se o negrume e a mais pura beleza fossem duas faces da mesma moeda.»

Ler na íntegra aqui.


publicado por Senhor Palomar às 08:15
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Terça-feira, 23 de Junho de 2009
«O romance é uma sucessão de monólogos fragmentários e contraditórios, nos quais certas histórias reaparecem insistentemente, mas sempre contadas de outra maneira, a partir de outro ângulo, com outra vibração. A verdade, se existe, é instável. Tudo pode ter sido assim – ou ao contrário. Na cabeça «meio embolada» de Eulálio, os tempos misturam-se, cruzam-se, coalescem. E os espaços também. Já não há palacete em Botafogo, chalé em Copacabana, apartamento na Tijuca, nem fazenda na «raiz da serra» (invadida pela favela), mas no «palavrório» do moribundo eles recuperam o antigo esplendor.»

Ler na íntegra aqui.

publicado por Senhor Palomar às 08:10
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Segunda-feira, 22 de Junho de 2009
«Um livro de conteúdo fascinante, ainda que frágil do ponto de vista formal. A tradução desta edição portuguesa também não ajuda. Desde erros básicos de concordância gramatical até à sistemática colocação de vírgulas entre o sujeito e o verbo, o descuido da edição consegue tornar a leitura quase tão penosa como a própria Longa Marcha.»

Ler na íntegra aqui.


publicado por Senhor Palomar às 08:41
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Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
«... T.B. mostra todo o seu desprezo, ou o desprezo que gostaria de sentir, pela «chamada honra» (p.122). «Todas as honras», dirá, «já então eram para mim suspeitas» (id.). A «única resposta», defende, cortante, «é a de rejeitar todas as honras» (p.110). Numa das suas alocuções, aliás, diria mesmo: «Não há nada a louvar, nada a condenar, nada a acusar, mas há muita coisa ridícula; tudo é ridículo, quando se pensa na morte» (p.133). O seu desdém vai a ponto de apoucar a mera formalidade do papelucho – «o chamado diploma do prémio, cuja falta de gosto, como a de todos os outros diplomas de prémios que recebi, era inexcedível» (p.16). De resto, comenta mesmo, «já não tenho todos os outros diplomas de prémios, perderam-se no decorrer dos anos» (p.48).»

Ler no Rascunho.


publicado por Senhor Palomar às 21:59
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009
«O historiador Tony Judt diz que tudo começou a partir da Guerra dos Seis Dias, em Junho de 1967, altura em que certa ideia de sionismo messiânico, intolerante e ultra-religioso deu cabo do capital de simpatia que o jovem estado gozava mesmo nos sectores da esquerda europeia. Um dos ensaios de Judt — Vitória Sombria: a Guerra dos Seis Dias de Israel, coligido em O Século XX Esquecido — é eloquente a tal respeito. Escrevi sobre esse livro no Público, mas pode lê-lo também aqui. O que me faz voltar ao assunto é a notável História de Israel de Martin Gilbert (n. 1936), o historiador que toda a gente reconhece como o mais reputado biógrafo de Churchill e um especialista do Holocausto.

Ler na íntegra aqui o texto de Eduardo Pitta.

Ler nota da editora, aqui. Booktrailer disponível aqui.


publicado por Senhor Palomar às 08:12
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Terça-feira, 16 de Junho de 2009
«As Meninas da Numídia é, pois, o seu romance inaugural e, mesmo que não tivesse escrito mais nada, só por este merecia lugar de destaque. Original e inclassificável, o texto recria o ambiente de um bordel de Casablanca onde as putas têm nome de flores e os chulos sodomizam louros escandinavos. A linguagem é simultaneamente poética e crua, e Leftah consegue ainda a proeza de, a uma só voz, escrever um hino às mulheres e à literatura.» Ler na íntegra aqui.

Ler texto sobre esta obra do Senhor Palomar aqui.


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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
«Primeira obra do basco Javier de Isusi, O Cachimbo de Marcos inaugura a série ‘As Viagens de Juan Sem Terra’, registo das deambulações de Vasco em busca do amigo Juan, desaparecido misteriosamente. Num preto e branco que tira o melhor partido das sombras e da sua capacidade de criar volumes e contrastes, Isusi constrói uma narrativa que convoca o romantismo das revoluções ao mesmo tempo que o questiona, num exercício capaz de inquietar os corações mais utópicos.»

Ler texto na íntegra aqui.


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Sexta-feira, 12 de Junho de 2009
«[Em] A Breve e Assombrosa Vida de Oscar Wao, o muito aguardado primeiro romance de Díaz, que só viu a luz 11 anos após Drown (...) Oscar também não corresponde à imagem de uma «pessoa normal». Rapazinho obeso e cheio de complexos, ele é um «cromo» típico, um «introvertido social» viciado em livros de ficção científica, filmes apocalípticos e paixões platónicas. Em vez de sair para fazer asneiras, como os outros miúdos da sua idade, fecha-se em casa a escrever, deixando que o tempo passe e que se agigante o seu maior temor: ficar virgem para sempre.»

Ler na íntegra aqui.

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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

A Quetzal Editores renovou-se no último quadrimestre do ano de 2008. Com a entrada de um novo director editorial (Francisco José Viegas), alterou a sua imagem gráfica e recuperou o fôlego que perdera entretanto.

A chancela do Direct Group viria a absorver alguns autores da Bertrand (como Vergilio Ferreira - de quem está a republicar a obra completa -, José Luís Peixoto ou Vasco Graça Moura) e a cooptar outros anteriormente publicados por casas vizinhas (Cabrera Infante, com o inédito «A Ninfa Inconstante» em primeira tradução mundial, por exemplo). A par destas acções, a Quetzal tem pautado pela apresentação de belíssimas novas apostas como Hector Abad Facciolince ou Mohamed Leftah, este último um perfeito estranho até ao momento em que é lançado o romance “As meninas de Numídia”.

A obra em questão é uma pequena narrativa de cerca de 160 páginas que se lê numa penada e retrata o ambiente dos bordéis de Numídia. É a história de mulheres desgraçadas, estropiadas pela vida e pelos seus «chulos» Spartacus e Zapata, que Leftah descreve como flores. «As meninas de Numídas» são mulheres autênticas, fortes, capazes de fazer frente a todas as adversidades. Mesmo à maior das vergonhas. E talvez por isso sejam belas.

Fazendo uso de um tom narrativo que mistura de forma magistral o registo poético com os mais desbragados (na verdade, a palavra correcta é ‘vulgares’) predicados, Mohamed Leftah tem o dom de nos fazer acreditar que é possível juntar as fantasias das mil e uma noites de Sherazade com a violência crua servida em doses generosas. Sensualidade com brutalidade poucas vezes vista: tudo na mesma página. A não perder.

Sinopse aqui. Biografia do autor aqui.

As meninas de Numídia, Mohamed Leftah, Quetzal Editores. Tradução de Jorge Pereirinha Pires.

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Terça-feira, 9 de Junho de 2009
«Em traços gerais, pode dizer-se que há dois tipos de biografias sobre pessoas vivas: as autorizadas e as não autorizadas. As primeiras estão sujeitas ao crivo da «vítima», pelo que tendem a ser neutras (nos melhores casos) ou ostensivamente hagiográficas (nos piores). As segundas não obedecem a nenhum acordo entre o biógrafo e o biografado, o que compromete quase sempre a sua credibilidade e até a sua legitimidade. Não faltam nas livrarias exemplos de vinganças pessoais, apoiadas em «revelações» especulativas e assinadas por antigos mordomos, amantes traídas ou amigos desavindos, ávidos de um ajuste de contas que humilhe o «ex-» na praça pública. Em O Mago, Fernando Morais inaugura uma terceira categoria: a biografia autorizada que revela tudo o que se espera de uma não autorizada. Ou ainda mais.»

Ler na íntegra aqui o texto publicado inicialmente no suplemento Actual, do jornal Expresso.


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«Thomas Bernhard definiu algures a sua escrita como uma arte do exagero. Ao fazê ‑lo, tornou claro como não distinguia entre as obras especificamente ficcionais e as outras, em que o suposto elemento autobiográfico toma a dianteira e ocupa a maior parte do palco (apesar da linguagem, excluí os textos dramáticos bernhardianos destas considerações).»

Ler aqui o texto de João Paulo Sousa, no Da Literatura.


publicado por Senhor Palomar às 16:23
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Pedro Sena-Lino tem já uma obra poética com «mais de 7 volumes», conforme se lê na badana do livro. Director da Companhia do Eu, dirige uma série de cursos de escrita criativa, tendo dois livros do género publicados pela Porto Editora. 333 é o seu romance de estreia, o que não deixa de ser uma aparente contradição, já que o autor ensina e disserta sobre uma disciplina sobre a qual não tem matéria publicada.

Porém, esse preconceito é desmistificado logo nas primeiras páginas: Pedro Sena-Lino conduz com agilidade um romance com pouco mais de 150 páginas e com mais de uma centena de personagens metidas ao barulho. Algumas reais, outras nem tanto: na verdade, e na maior parte, nem tanto.

O ritmo da narrativa é vertiginoso, apenas comparado ao igualmente rápido processo de destruição e desaparecimento dos 333 exemplares da obra de Soror Flâmula levados a imprimir pelo mestre-impressor Darius Waerminger, por alturas de Mil e Quinhentos. Através da revelação de algumas das páginas dessa suposta obra, temos acesso a um texto de forte tensão erótica que abre caminho para algumas das escritoras que Pedro Sena-Lino estuda enquanto investigador para efeitos de doutoramento – autoras essas que, diga-se, ainda hoje escandalizariam muitas das plácidas almas do nosso século.

Difícil de classificar (oscilando entre o romance – histórico mas não muito – a micro-ficção e o relato simples quase jornalístico), o romance de Pedro Sena-Lino é sincero nos seus intentos e propõem-se a contar uma história. Várias histórias. 333, para ser mais preciso. Tantas quantas as interpretações que um livro tem a capacidade de dar a conhecer a um leitor.

Nos agradecimentos, o autor não deixa de referir uma série de amigos, leitores muitos deles, assim como a equipa da divisão literária do Porto da editora: Cláudia Gomes, Mónica Magalhães e Rui Couceiro. Subentende-se que terão sido parte importante na elaboração criativa do livro. A ser assim, estão todos de parabéns.

Pedro Sena-Lino [2009]. 333, Porto Editora, 2009. 184 páginas.

publicado por Senhor Palomar às 07:20
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