Este é um blogue livre de pontos de exclamação

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2009

Claro que ninguém esperava isto. Entretanto Edite Estrela classifica de atitude inquisitorial as declarações de Mário David, que apelou a que Saramago abdicasse da nacionalidade portuguesa. O Pedro Vieira é que tem razão no que aos dois protagonistas (o escritor e o eurodeputado) diz respeito: Dumb and Dumber.


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publicado por Senhor Palomar às 11:31
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«Simpatizo com o espírito blasfemo das declarações de José Saramago na apresentação do romance Caim, mas também me parece que se trata de um truque de marketing relativamente gasto e cansado (por muito que a Igreja continue a morder o isco), e que criticar o catolicismo é uma actividade que não carece, hoje, de especial coragem. [...] A esmagadora maioria dos católicos não segue a Bíblia e está-se a borrifar para as encíclicas e ordens papais. Usam preservativo e pecam abundantemente.» Vale mesmo a pena ler na íntegra.


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publicado por Senhor Palomar às 00:15
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Um texto de José Navarro de Andrade, para ler no É tudo gente morta


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publicado por Senhor Palomar às 00:03
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Terça-feira, 20 de Outubro de 2009

Estamos todos a deixar-nos levar pelo jogo de Saramago. Entramos em campo de sorriso no rosto e, no íntimo, achamos mesmo que vamos sair vitoriosos. Mas, na verdade, todos perdemos. Incluindo Saramago. O capítulo mais recente é assinado por Mário David, um eurodeputado do PSD que exorta Saramago a renunciar à cidadania portuguesa.


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publicado por Senhor Palomar às 19:26
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Saramago tem todo o direito de publicar Caim e ainda bem que escreveu o excelente Evangelho.  Mas quando, nas suas declarações, está permanentemente a atacar crentes, religiões, a Igreja e o que mais aparece à frente, deve contar com a possibilidade de haver reacções.

 

É verdade que Saramago chegou a um ponto, a uma idade se preferirem, que pode dizer o que lhe apetece, sem se preocupar se vai agradar ou chocar. Mas por isso mesmo, depois, por favor, não se vitimize. Isso seria muito estúpido.

 

PS: E eis que o Senhor Palomar contribui para que mais uns quantos volumes passem na caixa registadora.


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publicado por Senhor Palomar às 10:45
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O Senhor Palomar não se espanta que Caim seja um golpe de marketing do Nobel Português. Sim, a Bíblia é um manual de maus costumes, o Corão não pode ter sido ditado a Maomé, «Deus é cruel, invejoso, insuportável», diz Saramago. Pouco importa. Saramago tem direito a dizer o que achar por bem. Não por ser Nobel, mas porque Saramago merece ser tratado com o respeito com que falta aos milhares de pessoas que, tão só, acreditam.

 

O Senhor Palomar gosta de pessoas que acreditam. E como tal respeita quem abraça uma religião. Mesmo que não professe nenhuma. Saramago achará decerto que uma vida de crença é uma vida sem nexo. Ignora possivelmente que, para os crentes, a vida ganha aí sentido. Ignora, mas sabe-o. Portanto, se decide carregar na mesma tecla, é porque tem o feitio que se lhe conhece. Sim, venderá mais livros, mas não será por isso que fala no tom que o faz. Saramago venderia sempre o número de livros suficiente para suportar o estilo de vida que tem. Não precisava de mais esta bordoada. A LeYa Caminho, por outro lado, deve agradecer o gesto. O mais certo é que a tiragem inicial de 50 000 exemplares esgote rapidamente. Azar para o novo livro de Lobo Antunes, que saiu também por estes dias, e do qual ninguém fala

 

Com Caim, Saramago poderá ser, para algumas pessoas, ofensivo. O Senhor Palomar esclarece que o que ali se lê não o melindra, contudo, entende que tal possa suceder a muitos espíritos, conservadores ou não. Olho vivo para Israel, que é, diga-se, verdadeiramente trucidado por Saramago neste último livro.

 

Saramago, pelos olhos de Caim, mostra-nos de novo que estamos cegos. Retrata a expulsão de Adão e Eva do Éden, a desagregação da torre de Babel, a destruição de Sodoma, a construção da Arca de Noé, entre outros episódios do Antigo Testamento. A partir destas imagens, qual profeta, Saramago usa a mesma demagogia que tanto critica nas religiões para dizer que Deus não existe e que todos aqueles que seguem uma religião caem no absurdo de o fazer. É o estar com ele ou contra ele.

 

O livro, por outro lado, e o que mais deveria importar, é interessante. Começa bem, muito bem, prossegue mal como se mais uma viagem de um elefante fosse, e termina lindamente. Quanto às páginas eróticas de que falava a imprensa de hoje, o Senhor Palomar não deu por nada. Mas isto talvez se deva ao facto de andar a passar demasiado tempo, sozinho em frente à televisão, a ver canais pouco literários. E bem mais obscenos que as obras de Saramago.


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publicado por Senhor Palomar às 00:01
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Domingo, 11 de Outubro de 2009

«Posibles filtraciones alteran las apuestas por tercer año seguido. Müller pasó de tener las apuestas 50/1 a 3/1 y subió más de 30 puestos.»



publicado por Senhor Palomar às 22:03
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Domingo, 27 de Setembro de 2009

O Senhor Palomar esclarece que nada tem contra Rogério Casanova, pelo que, por maioria de razão, não é autor desta plataforma. Como ficou claro pelo texto aqui escrito, o Senhor Palomar admira, e muito, Rogério Casanova. Apenas não embarca em faltas de educação.

 

Espera, assim, o Senhor Palomar ter esclarecido os leitores que o questionaram, quanto à possibilidade de ser autor do blogue em causa. Não é autor, co-autor, ou sequer foi alguma vez ouvido para a construção do blogue acima.


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publicado por Senhor Palomar às 21:16
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Segunda-feira, 14 de Setembro de 2009

pynchon

 

Rogério Casanova está enganado. O seu testemunho é dúbio e, contrariamente ao que diz, a interpretação de Hélder Beja é legítima. Ou isso ou o Senhor Palomar e Hélder Beja (e já são dois) são incapazes de «perceber […] o que vem antes e depois na mesma frase». Ao ler as primeiras frases do texto de Rogério Casanova somos levados a pensar que o adjectivo competente se deve à revisão da obra (inclusive tipográfica, que Rogério Casanova aborda na primeira frase) e não revisão da tradução. «Uma modesta mas obstinada cabala tipográfica parece estar em curso. Em 1987, a Editorial Fragmentos publicou uma tradução de "O Leilão do Lote 49". A tradução era competente e, a espaços, inspirada - mas uma frase do texto original foi misteriosamente truncada. A presente edição da Relógio D'Água recupera a mesma tradução; uma revisão competente e, a espaços, inspirada uniformiza alguns tempos verbais anárquicos, corrige lapsos antigos e introduz lapsos novos …»

 

O Senhor Palomar considera que os críticos devem saber de edição de um ponto de vista profissional, contudo, entende e até poderá aceitar, em casos pontuais, o que Rogério Casanova indica: que a postura do crítico deve ser a de fazer vista grossa a erros de revisão, de forma a não afastar leitores de obras que considera fundamentais. Mas daí a dizer que se está «a cagar», talvez estejamos a ir um pouco longe de mais. Sobretudo quando escreve para meios como a LER e o Expresso, cujos leitores talvez não se estejam a cagar para omissões desse tipo, por parte dos críticos. Rogério Casanova deveria pensar nisso e recordar-se que quem lhe paga o salário não é o director financeiro das publicações, mas sim quem o lê.

 

Rogério Casanova é, indubitavelmente, uma das vozes mais originais, cultas e interessantes da imprensa portuguesa. Em breve será da literatura. Quando perguntam ao Senhor Palomar quem é que, entre os mais novos, vai ficar, o Senhor Palomar aponta quatro ou cinco nomes. Um desses é Rogério Casanova. O seu humor e ironia, cimentados numa bagagem intelectual que não se adquire nos 29 anos que tem, são de mais conhecidos, tendo conseguido criar à sua volta uma justa unanimidade. Essa unanimidade, em grande medida produto do registo corrosivo-psicadélico dos seus textos, trouxe-lhe igualmente um escudo protector que nos inibe a todos de rebater ou contrariar o que seja que  Rogério Casanova escreve. Mesmo que não se conheça 95% dos autores de que este fala, não fica bem dizê-lo. Mesmo que se considere que a escolha é demasiado elitista, ninguém o quer apontar. Mesmo que, e isto é que importa ao Senhor Palomar (com o resto consegue conviver bem), este reaja com má educação e violência a quem foi polido com ele, não ficará bem assinalá-lo. Porque sabem que vão levar pela medida grande (coisa para a qual o Senhor Palomar olimpicamente se prepara).

 

Ninguém entra num ringue se souber que do outro lado tem um tractor. Mas se assim é, a verdade é que tão pouco se espera que Rogério Casanova tenha a mesma atitude que o rufia corpulento da primária do Senhor Palomar, que, como todos os rufias corpulentos, era muito temido, mas pouco respeitado. O Senhor Palomar não quer que Rogério Casanova se transforme no António Boi que batia em todos os colegas e por isso apela a que, quando Rogério Casanova polemizar com alguém, o faça com a graça e inteligência que lhe granjearam fama (inclusive junto do Senhor Palomar e do Hélder Beja). Espera que o registo de Rogério Casanova seja pelo menos tão correcto quanto o dos adversários: «Rogério Casanova, todos sabemos, venera Pynchon. Nenhum mal vem ao mundo, cada qual gosta do que quer. O que é grave é que Casanova, nesta crítica a O Leilão do Lote 49, escreva algo tão disparatado como que o livro tem «uma revisão competente e, a espaços, inspirada». A revisão é, só, do pior que me passou pelas mãos desde que ando nisto dos livros.»

 

Hélder Beja poderá ter sido um pouco duro. Mas não foi condescendente. Não tratou Rogério Casanova por cidadão. Não desmereceu a experiência em livros que Rogério Casanova possa ter (que, dadas as idades dos dois, será muito provavelmente similar). Dirigiu-se a Casanova com educação e Casanova respondeu com a ironia em mau estado de conservação, tratando-o por cidadão Hélder Beja. Subliminarmente, ou não, Rogério Casanova deixa cair uma ponta de desprezo pelo colega (Hélder Beja escreve no Público e na Os Meus Livros), o que nada dignifica o autor de Pastoral Portuguesa.

 

O que dignifica Rogério Casanova, isso sim (já sabemos), são os seus textos. Rogério Casanova escreve como poucos, levando-nos a ler qualquer coisa desde que da sua autoria. Rogério Casanova tem o dom de nos fazer ler sobre a pesca da sardinha no alto mar, fazendo-nos sentir que aquele tema será importante para o nosso quotidiano. Não tem o direito de nos fazer ler textos em que revela mau perder e mostra incapacidade de dizer “bom, talvez a palavra competente para aquela revisão não seja a mais indicada”. Em alturas de dúvida, Rogério Casanova deve optar pelo silêncio. E voltar a escrever sobre a pesca da sardinha no alto mar, que nós cá estaremos para lê-lo.

 

PS: Caso Rogério Casanova considere que este texto não faz qualquer sentido e que o mesmo deveria vir assinado por alguém cuja identidade é conhecida (o que seria estranho no caso de Rogério Casanova, mas enfim), o Senhor Palomar disponibiliza-se desde já para discutir cara-a-cara com Rogério Casanova sobre os vários níveis da palavra revisão. E Pynchon, já agora, que o Senhor Palomar sempre gostava que lhe fizessem um bom roteiro da obra, para não se espalhar na primeira curva. Ou na primeira cedilha indevidamente ceifada, vá.


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publicado por Senhor Palomar às 00:14
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Ler aqui. Via Bibliotecário de Babel.


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publicado por Senhor Palomar às 00:11
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Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009

pynchon

 

Muito se tem falado, e mal, da edição da Relógio D´Água de "O Leilão do Lote 49". Pedro Vieira fê-lo. José Mário Silva, coordenador da secção de livros do Expresso onde Casanova escreve, também (mas na LER). Por isso, como Hélder Beja nota, e bem, é estranho que Rogério Casanova indique que estamos perante «uma revisão competente». Revisão competente não é compaginável com, citando Casanova, uma «obstinada cabala tipográfica». Nem com, pegando de novo nas palavras de Beja, «sérios problemas de revisão que irritarão o leitor mais atento. Faltam acentos por toda parte e alguns estão onde não deveriam estar, como em “visívelmente” (p.104). Há frases inteiras sem sentido: “Ele parece ter um ser sido instável” (p.116). É grave.» Pois é.

 


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publicado por Senhor Palomar às 20:36
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Quarta-feira, 2 de Setembro de 2009

 

Polémica «Tintim no Congo» vai parar aos tribunais. Ler no ABC.


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publicado por Senhor Palomar às 13:43
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009
Maria João Pires aventou a hipótese de vir a adoptar unicamente a nacionalidade brasileira. Miguel Sousa Tavares seguiu-lhe os passos e apresentou semelhante proposta. Saramago garantiu que, por ele, o escritor até podia ir para Marte. Na LER deste mês, Miguel Sousa Tavares responde-lhe: «Não me preocupa nada que o Saramago fique lá a viver em Lanzarote porque não faz falta como contribuinte. Agora, eu faço falta ao País como contribuinte. Não tenho uma fundação que é um excelente meio de não pagar impostos e ainda ser ajudado.»

Fica por esclarecer se, de facto, Saramago não paga os seus impostos em Portugal.

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publicado por Senhor Palomar às 15:11
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As reacções ao novo livro de José Saramago já se começam a fazer sentir. Em resposta à frase-chave da obra, que emoldura o booktrailer («Que diabo de Deus é este que, para enaltecer Abel, despreza Caim?»), Maria Helena Pinto Ribeiro deixou na página de facebook do Senhor Palomar um pertinente comentário que aqui se reproduz:

«Não consegui encontrar no livro do Génesis a parte em que Deus despreza Caim. Devo ter saltado versículos.

O grande problema deste cidadão e de outros, é que não acreditando em Deus, conseguem defini-lo como alguém que escraviza, ou então alguém que faz do homem uma marioneta. O homem é escravo dos seus desejos de dominar, de possuir… enquanto Deus criou o homem livre. Livre para poder decidir que quer a paz e de lutar por ela… Pico della Mirandola percebeu isso muito bem.

Um Deus que tem “poderes suficientes para obrigar os impertinentes desavindos a depor as armas e deixar a humanidade em paz” continua a ser um Deus em quem não consigo acreditar e nem me esforço para isso.

Só quem alimenta os fantasmas que estão dentro de si próprios é que acredita que eles existem.
»
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publicado por Senhor Palomar às 01:21
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
Embora o Senhor Palomar prefira sem.
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publicado por Senhor Palomar às 16:21
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
«O ponto de exclamação existe para ser usado nas devidas alturas senhores e senhoras a favor desta petição! Se não sabem quando o usar, consultem a Gramática do Português Moderno onde explica a sua utilização muito mais detalhada e consisamente do que eu o posso fazer. No entanto sei que está tão errado o uso do dito ponto em determinadas orações como a ausência dele em outras determinadas orações, porque acabei o Secundário há apenas um ano e lembro-me de a professora Fátima numa ou outra circunstância marcar-me um ponto de exclamação com a caneta vermelha por eu não o ter colocado: erro gramatical.» Ler na íntegra aqui.

publicado por Senhor Palomar às 22:20
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
«[confesso ] ...que quando tinha 19 ou 20 anos e andava na faculdade li (ou tentei ler) O Leilão do Lote 49, do Thomas Pynchon. Li mesmo? Não ficou nada. A verdade é que nem me lembro se cheguei ou não ao fim. Também não vou no hypeAqui.
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publicado por Senhor Palomar às 15:50
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Pedro Vieira, quem mais?
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publicado por Senhor Palomar às 11:32
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
Presidência suspeita estar a ser vigiada por parte do Executivo.
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publicado por Senhor Palomar às 14:52
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Ler aqui.

publicado por Senhor Palomar às 14:28
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
«Não tenho nada contra o ponto de exclamação. Nem a favor. Se algum passar por mim na rua, cumprimento-o. Se me pedir um cigarro, não dou. Mas sou assim com toda a gente e não abro excepções a sinais de pontuação. O movimento contra o ponto de exclamação, iniciado aqui, confundiu-me. Um movimento que se propõe acabar com alguma coisa parece-me de natureza imperativa. Não se sugere o uso moderado do ponto de exclamação, mas o seu extermínio, porque fere a sensibilidade, porque grita, porque é próprio de pessoas sem maneiras, porque é histérico. Grita-se, baixinho, contra o ponto de exclamação: eis o paradoxo!» Belíssimo texto.
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publicado por Senhor Palomar às 13:32
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O Senhor Palomar, com a devida vénia a Rui Tavares (que autorizou a publicação da crónica), deixa aqui o texto publicado pelo historiador no jornal Público de hoje. O Senhor Palomar agradece a Shyz Nogud as diligências para conseguir esta crónica.

«Há uns anos, a revista The Economist decidiu publicar um texto só com palavras curtas, porque Winston Churchill tinha dito uma vez que as palavras curtas eram as melhores. O autor ou autores, anónimos como sempre naquela revista, pareciam orgulhosos pelo seu feito, e convencidos de que tinham produzido um escrito pragmático, sucinto, preto-no-branco, claro, concreto e totalmente isento de toda a conversa fiada.

Estavam errados. O texto era ilegível, o que até a mim surpreendeu. Aquela sucessão de palavras estreitas, na matraqueação das suas quase sempre duas sílabas, era o equivalente literário do ruído da electricidade estática e fazia da folha impressa uma paisagem de cagadelas de mosca. Sem palavras compridas, difíceis ou rebuscadas, não havia nada a que o cérebro se pudesse agarrar, nada que o intrigasse ou o forçasse a perder tempo, nada que segurasse a sua atenção. O texto declaradamente mais objectivo e anti-elitista era na verdade o mais arrogante e pseudo-intelectual dos manifestos. Assim é; e assim é também com a ideia equivocada, dominante no jornalismo literário, de que um bom texto deve ser feito de frases curtas.

O texto escrito precisa de palavras curtas e palavras compridas, precisa de frases breves e de frases longas, precisa de linguagem concreta e de linguagem metafórica. O texto precisa de ritmo e esse ritmo só se consegue pela utilização de elementos diferenciados; mas o ritmo de um texto literário não é como um ritmo musical — ele não obedece sempre ao mesmo tempo, não cai em compassos, não é metronímico — e tem de ir sendo calibrado à mão em cada parágrafo, uns mais lentos, outros mais rápidos, outros que se desdobram em subordinadas. E também: frases sem verbos. O ritmo do texto não é tão regular nem sincopado como o da peça musical porque a sua busca é a da fluência. Fluência como a das melodias não musicais nas suas modulações sucessivas — como nos cursos de água, na brisa e no vento, nas chuvadas.

***

A doutrina que defende as palavras e as frases curtas é a mesma que nos diz tantas vezes: não uses adjectivos. E acrescenta: não há nada que tenhas para dizer que não possa ser dito com verbos e substantivos. Vamos supor que fosse verdade (não é). Por que raio serem supérfluos os adjectivos nos deveria privar do uso deles? Por franciscanismo literário? Não pode ser. São Francisco de Assis era um exímio utilizador de adjectivos; as mais contemplativas das palavras, nascidas de uma espécie humana amadurecida que se libertou da pura acção e aprendeu a observar as qualidades das coisas. Será então por calvinismo literário.

O último objectivo do calvinismo literário é acabar com os pontos de exclamação. Que são desnecessários (mais uma vez) e ferem a vista e são apanágio de maus escritores. Mesmo que tudo fosse verdade seria errado. Sim, os maus escritores abusam dos pontos de exclamação; mas querer proibi-los pode fazer de nós escritores medíocres.

Eu também sonho às vezes com uma escrita que fosse só palavras, sem convenções gráficas. Mas a escrita é toda ela convenção; e logo vejo que há sinais gráficos a menos e não a mais. Eu por mim inventaria mais quatro ou cinco: para a falsa exclamação, para a pergunta interrompida, para a dúvida afirmativa, para a frase incompleta.
»
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publicado por Senhor Palomar às 13:10
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«O último objectivo do calvinismo literário é acabar com os pontos de exclamação. Que são desnecessários (mais uma vez) e ferem a vista e são apanágio de maus escritores. Mesmo que tudo fosse verdade, seria errado. Sim, os maus escritores abusam dos pontos de exclamação; mas querer proibi-los pode fazer de nós escritores medíocres

Rui Tavares, hoje, na página 40 do 1.º caderno do Público. A crónica não se encontra disponível online.
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publicado por Senhor Palomar às 12:58
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
Aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 16:19
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Ver aqui. Acima, a capa do livro "Portugal dos Pequeninos", de João Gonçalves, pela Bertrand. Aquele volume reúne alguns textos de um dos bloggers que mais tem batido em José Sócrates. Com algumas (muitas) reticências, mas sem pontos de exclamação.
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publicado por Senhor Palomar às 15:03
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«Esta ansiedade social com prontuários & formalismos é o equivalente daquelas criaturas que nos vêm cumprimentar no restaurante, não sem antes dizerem “eu sei que não se cumprimenta as pessoas quando estão a comer, mas é só para lhe dar um beijinho”, não vá a gente pensar que não têm maneiras, ou assimAqui.
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publicado por Senhor Palomar às 14:59
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«Ora portanto: eliminar o ponto de exclamação, olha que caralho de ideia, foda-se. E eliminar os gajos que são chatos como a potassa, como o Senhor Palomar? Não se pode fazer as duas coisas ao mesmo tempo? E os escritores "histéricos" que não utilizam pontos de exclamação, também não podem ser eliminados?[...] A certa altura o Senhor Palomar afirma que "após um grito nos nossos ouvidos, ninguém mais consegue raciocinar, isso é um dado adquirido." Ai é? E se o autor tiver "raciocinado" que o melhor nesta altura da obra era mesmo "gritar aos ouvidos do filho da puta do leitor que não está a perceber nada desta merda", como é que faz, perante o leitor que não quer ser gritado, sem o ponto de exclamação? Esta ideia é mole, aliás, por uma outra razão: quem é que disse que o ponto de exclamação é a única, ou sequer a maneira mais frequente, de um autor nos incomodar com o volume das suas frases? Recebia desde já um bilião de pontos de exclamação de braços abertos se em troca me livrassem da verdadeira e mais incómoda poluição que nos aflige: os chatos.» Grande Maradona. Grande.
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publicado por Senhor Palomar às 14:55
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Quinta-feira, 13 de Agosto de 2009
Deve ou não reinventar-se? A discussão está aberta. Ler no El País.
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publicado por Senhor Palomar às 11:41
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Quarta-feira, 12 de Agosto de 2009
'Liar' conta a história de uma rapariga afro-americana. Mas, na capa, a editora Bloomsbury colocou uma mulher branca. Ler aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 00:06
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009


Hillary Clinton de visita ao Congo.

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publicado por Senhor Palomar às 14:50
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Domingo, 9 de Agosto de 2009
Ler os textos de opinião de Eduardo Pitta e Francisco José Viegas nos seus respectivos blogues. Notícias de enquadramento da polémica aqui e aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 15:02
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«Na blogosfera anda uma petição pela abolição do ponto de exclamação. Sou contra. Reparem, eu não disse: sou contra! Como aquelas mulheres que baixam a voz e a tornam fria para indicar que um não é mesmo não, eu não uso ponto de exclamação quando sublinho uma frase. Agora, daí a quererem abolir o sinal, apetece--me baixar a voz e torná-la fria: não. Quem quiser acabar com o ponto de exclamação vai encontrar-me bem armado. Na ortografia não conheço melhor para porrada que o ponto de exclamação, tem bastão para varrer costados e um pontinho para furar olhos. [...] Havia uma organização francesa também maoísta, que se redimia no título do seu jornal: "Ce que nous voulons: Tout!" ("O que nós queremos: Tudo!"). O que prova que até os mal excitados podem conhecer a arte de bem exclamar.»»
Ler na íntegra no DN.

Que gosto é ter como adversário Ferreira Fernandes. (Uma das coisas boas do DN, diga-se).

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publicado por Senhor Palomar às 14:24
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
«...um dos directores da publicação em que escrevo faz um editorial a pedir desculpa aos fãs do autor por mim, num tom subserviente e que insulta o meu trabalho. Pior: depois vem o provedor da mesma publicação dizer em tom autoritário que, se não gosto daquele autor, nunca deveria ter escrito sobre ele. Diz ele que não é curial. Assim, categoricamente.

Pode isto acontecer em Portugal? Pode


Ler na íntegra aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 22:23
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O Senhor Palomar soube da experiência pelo Blogtailors: «No início do ano, a jornalista Susana Torrão criou a «autora» Isabel Sousa. Deu-lhe identidade e uma primeira obra: o Até ao Fim, de Vergílio Ferreira, mas com o título e os nomes dos personagens principais alterados. A primeira obra de Isabel Sousa, Vigília, foi enviado para as editoras nacionais, em conjunto com uma pequena descrição de si mesma. Nos seis meses seguintes, Susana Torrão foi contactando as várias editoras, fazendo-se passar pela autora, por forma a tentar que o seu livro fosse publicado, esperando que a obra fosse identificada como sendo de Vergílio Ferreira.»

O Senhor Palomar foi ler a reportagem das páginas 102 a 105 da revista SÁBADO. Algumas notas:

1. A jornalista contactou o Direct Group. A telefonista indicou que novos autores portugueses era com a Pergaminho. Aqui, o Senhor Palomar não sabe o que dizer do Direct Group que não dá as indicações devidas ao pessoal que atende o telefone, mas inclina-se para subscrever a tese que um jornalista que se propõe fazer uma experiência deste tipo, deveria conhecer melhor os catálogos daquela estrutura. Sobretudo quando a obra completa de Vergílio Ferreira foi publicada pela Bertrand e está actualmente a ser reeditada pela Quetzal (ambas do grupo). Por isso, a justificação da jornalista que não contactou as outras editoras do grupo, porque a telefonista lhe disse para contactar a Pergaminho, não serve.

***

2. Passaram-se seis meses e ninguém mostrou interesse em publicar a obra. Motivos invocados: falta de espaço para publicação na área da ficção; que não estão a aceitar novos autores; que não corresponde ao perfil do catálogo; férias do pessoal (Difel): «O colega está de férias mas, e vai-me desculpar por eu lhe estar a dizer isto, se não houve resposta até agora é porque a obra não representa um interesse para a editora». Outras nem justificações apresentaram, mas passaram a enviar uma newsletter com informação relativa à editora.

Ao invés de achar um escândalo que a jornalista não tenha resposta, o Senhor Palomar até consegue compreender que assim seja. No frenesi de se publicar "o que dá", não há tempo para olhar para o que "não dá". O excel é um programa meio obtuso e obriga a que não se olhe para novos autores ou se considere os originais demasiado complexos para uma primeira obra.

***

3. Dicas para criação de um livro susceptível de publicação: se é a tua primeira obra e queres ser autor, começa por algo bem simples. Nada de coisas complicadas com mais de três personagens ou grandes reflexões: A conhece B. C gosta de B. C vai fazer a vida negra a A. No final, C morre. A e B vivem felizes para sempre. Salpiquem tudo com ambientes bem comuns (o Centro Colombo, o Vasco da Gama, a esplanada junto ao rio) e personagens bem complicadas (o administrador de empresa, a senhora que trabalha de sol a sol que não tem dinheiro para educar a filha, orfã claro, que é um anjo; a matriarca da família rica que não dá esmolas; etc). A história deve ser linear, sem analepses ou prolepses, que isso só complica. Tudo cosido, está pronto a ir ao forno.

***

4. A somar ao que já foi dito, e que de alguma forma isenta os editores, há ainda outro ponto: da esmagadora maioria dos originais que chegam às editoras, são muito poucos os que apresentam qualidade de publicação. O que não é, nem pode ser, motivo, para que os editores façam vista grossa a tudo o que lhes aparece e necessitem de um prémio, ou outra muleta, para dar atenção a quem se deu ao trabalho de os considerar para seu editor. A agir assim, nunca se sabe quando é que lhes bate à porta um Vergílio Ferreira e estes apenas lhe indicam a saída. Se a casa ficar num beco, então ainda pior.



publicado por Senhor Palomar às 18:10
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
«...ora, apesar de gostar muito do banner que ele desenhou, até porque tenho uma tatuagem no mesmo sítio, custa-me subscrever a proposta. Acho que o ponto de exclamação faz falta, como tudo o que existe, à excepção do Alberto João Jardim e de mais algumas pessoas. Quando se quer passar da ironia para o sarcasmo, um ponto de exclamação pode ser o remate certo. Percebe-se a intenção. De vez em quando, a indignação, o espanto e o entusiasmo também precisam do seu pontito atrevido. Sem emoções, a vida é uma chatice ainda maiorAqui.

A propósito, o mais recente livro da CMA já chegou às livrarias. Façam o favor de comprar. O Senhor Palomar recorda que a obra passou pelo mais rigoroso dos testes que certificam a sua qualidade. Ler aqui.

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publicado por Senhor Palomar às 19:38
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«"Para receber uma acreditação, os jornalistas devem aceitar que os seus dados pessoais sejam verificados exaustivamente", disse a redactora-chefe do diário [Tageszeitung], Ines Pohl, acrescentando: "Nenhum acontecimento é assim tão importante que justifique uma traição aos princípios fundamentais da liberdade de imprensa".» Ler no Público.

Passa-se isto a propósito da atribuição de acreditações para cobertura dos Mundiais de atletismo, de 15 a 23 de Agosto em Berlim.

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publicado por Senhor Palomar às 13:59
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Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009
«Como o provedor já considerou noutras ocasiões, o PÚBLICO, que ambiciona claramente ter uma função federadora em relação à população portuguesa, deveria cuidar de não alienar os diversos grupos sociais com considerações gratuitas ou de mau gosto, eventualmente ofensivas. A responsabilidade não é de João Bonifácio, mas de um editor que deveria ter feito a leitura prévia do texto e chamar-lhe a atenção para uma passagem mais desprimorosa para os adeptos de um clube. Na esmagadora maioria dos casos, o redactor cai em si, muda o que tiver de ser mudado e o texto cumpre na mesma a sua função.»

Meu caro Joaquim Vieira,
crê o Senhor Palomar que nunca teve o prazer de falar presencialmente mais de dois minutos consigo, na verdade, o Senhor Palomar e o Joaquim Vieira apenas terão estado juntos em eventos comuns, sem que este subscritor tenha tido o gosto de dizer-lhe que é seu leitor. Lamenta por isso o Senhor Palomar que o primeiro contacto directo seja para lhe dizer que discorda em absoluto do que escreve sobre o caso Bonifácio.

O Senhor Palomar não se pretende alongar, pelo que lhe dirá apenas isto: quando o Senhor Palomar quiser ler um jornal alinhado, compra o Avante!. Até lá, este leitor pagante do jornal Público espera que o senhor cumpra aquilo que parece ser a mais elementar das missões para um provedor: que defenda os direitos dos leitores. O que, claramente, não aconteceu.

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publicado por Senhor Palomar às 11:17
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Francisco José Viegas diz tudo o que há para dizer sobre a polémica. O texto vale mesmo a pena ser lido, mas basta ler as últimas quatro linhas para perceber por que razão o Público errou e deveria afixá-lo em todas as páginas do jornal:«Há aqui outro problema. Jornalista de uma publicação que eu dirija é meu jornalista. E eu sou solidário com ele. Se lhe chamam boi, acaba-se a discussão. Mesmo que ele seja boi. E insinuações absolutamente sujas como «devia é ser despedido» também terminam a discussão.»

O Público que entenda de uma vez por todas que são estas pequenas subserviências que o fazem perder leitores. Que este episódio conste do próximo relatório de vendas dos responsáveis. Já lá dizia a avó do Senhor Palomar: quanto mais te baixas, mais a saia levanta, mais se te vê o rabo. E olhem que a Dona Augusta era senhora de muito saber.

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publicado por Senhor Palomar às 11:06
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«Anda por aí uma excitada campanha (principalmente na blogosfera, mas também já a vi num jornal) contra o ponto de exclamação, do qual se diz o que Mafoma não disse do toucinho. Depois do quase total desaparecimento da prosa por assim dizer jornalística [...]parece que a “smsização” da Língua chegou aos sinais de pontuação, não tarda substituídos todos por animações e “emoticons”. [...] E temamos também por elas, pelas vírgulas, porque, se no caso do pobre ponto de exclamação o motivo é o seu mau uso ou o seu abuso, basta ver os maus tratos que as vírgulas sofrem hoje em jornais e blogues para não lhes augurar luzido futuro.»
Manuel António Pina, no JN.

«Sendo óbvio que as línguas mudam, queiram os conservadores ou não, é também óbvio que um dos desafios da escrita (e também da oralidade, se a pudermos cultivar com esmero) é a utilização dos recursos disponíveis com imaginação, estilo e inovação. Percebo o ódio aos textos polvilhados de pontos de exclamação, claro está, mas daí à sua extinção vai um passo de gigante. Usemo-los, pois, da melhor maneira
Sara Figueiredo Costa, no Cadeirão Voltaire.

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publicado por Senhor Palomar às 00:58
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Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009
Assim o diz Maria João Freitas no blogue "A namorada de Wittgenstein".
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publicado por Senhor Palomar às 20:29
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«Um tema simples e divertido; um autor-celebridade e o seu mais recente best seller usados como catalisadores; influenciadores de peso a argumentarem na blogosfera e redes sociais; branding; e criação de uma aplicação para utilização viral – e eis que surge uma campanha bem animada.» Ler o texto de Joana Machado, no blogue não-autorizado da LPM.
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publicado por Senhor Palomar às 14:04
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Mas, ainda assim, o Senhor Palomar agradece a mui simpática referência.

publicado por Senhor Palomar às 13:59
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Domingo, 2 de Agosto de 2009
«O que mais me enfurece ainda é que esses palhaços – cansei-me de ser civilizado – estão a ter uma onda de publicidade gratuita e fácil, não me espantaria nada que por causa deste episódio as vendas do maldito livro subissem. Não é segredo para ninguém o gosto perverso da humanidade em assistir e contribuir para a tirania. Ainda assim, mesmo que esses patifes ainda consigam lucrar com toda esta fantochada, os homens de bem não podem ficar calados e quietos. Não sei que tipo de efeito terá um boicote vindo do mundo dos blogs a uma editora que já de si, certamente, vende pouco, mas, ainda assim gostava de vê-lo. Mais que não fosse para que o Pedro saiba que não está sozinho nesta luta e que o chico-espertismo, felizmente, é mal visto.» Tiago Sousa Garcia, no Livros [s]em critério.
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publicado por Senhor Palomar às 23:52
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Sexta-feira, 31 de Julho de 2009
As manifestações multiplicam-se. Ler os textos abaixo de dois dos principais bloggers portugueses:

- Eduardo Pitta: «Pode uma editora publicar texto ou imagem sem autorização do autor? Não pode. Enfim, talvez na Somália. Mas foi o que aconteceu, e o crime de usurpação de propriedade intelectual é capaz de ser público (passo a batata quente aos juristas). [...] Em que é que o Pedro Vieira tem menos direitos que a Paula Rego?»

- José Mário Silva: «O que a Tribuna da História fez tem um nome: roubo. Roubo descarado. Roubo sem vergonha. Roubo escandaloso. E tem que pagar por ele. Repito: o caso não se resolve apenas com o repúdio (espero que generalizado) da blogosfera e o eventual boicote dos leitores. Até pelos precedentes que abre, a infracção deve ser punida exemplarmente. E por isso sugiro que o Pedro, ou alguém por ele, leve – passe o quase pleonasmo – a Tribuna a Tribunal.»

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publicado por Senhor Palomar às 21:21
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A Tribuna da História publicou em livro uma ilustração de Pedro Vieira «sem que lhe tenham sido pagos quaisquer direitos, dado créditos ou sequer solicitado autorização», como escreve o Blogtailors. Ler aqui o texto de Pedro Vieira, que é talvez o único momento positivo desta triste história. É um belíssimo texto.
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publicado por Senhor Palomar às 12:41
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Por Pedro Vieira. É um post notável. De leitura obrigatória. Para relembrar este sórdido caso, é favor clicar aqui e aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 02:07
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009
«Um ponto de exclamação mal colocado numa frase é uma deselegância indesculpável. Funciona como uma espécie de arroto verbal. O texto até pode estar “bem escrito” (ah, toda a vacuidade do mundo numa expressão barata), o artista até pode ser um bom artista, essas coisas todas, mas se coloca um ponto de exclamação onde não deve ser colocado estraga tudo (tudinho mesmo). Numa sala de decoração impecável é o dalmata de louça. O ponto de exclamação tem o efeito de uma bomba terrorista. A festa pode estar a correr bem, com um ambiente agradavelzito (apesar da música tenuemente new age), mas escusado era alguém ter feito rebentar o quarteirão todo com um explosivo colocado na marquise. É isso o ponto de exclamação.»

Texto de Nuno Costa Santos, no (infelizmente) extinto Sinusite Crónica.
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publicado por Senhor Palomar às 01:40
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Para seguir no blog de André Benjamim, que aponta FJV como estando por detrás deste manhoso estratagema futebolístico.
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publicado por Senhor Palomar às 12:54
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
À altura em que o Senhor Palomar escreve, a discussão inclina-se para que se mantenham os pontos de exclamação. Discussão a acompanhar aqui.
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publicado por Senhor Palomar às 23:24
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«Ora, acontece que, além de concordar 100% com o texto de Mexia, convém dizer que Bonifácio é um magnífico crítico e uma das pessoas que melhor escreve no Público. Só isso já basta. Nuno Pacheco, não tens razão

Nem mais.
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publicado por Senhor Palomar às 23:14
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A propósito deste caso, as reacções começam a espalhar-se na blogosfera. É desta forma patética que, em segundos, se destroem anos de eventual credibilidade adquirida. Aqui, pode ler-se o comunicado que Os Belenenses emitiram.

Pedro Vieira, Irmão Lúcia: «a liberdade anda a passar por aqui ou de quando o sub-director Nuno Pacheco mostra aos seus meninos como se faz opinião e relembra que quem se mete com a Cruz de Cristo, com o futebol e com o Montez leva. Lá dizia o outro


Luís, As Aranhas: «Se os jornais acham que se vão safar assim, colando-se ao rumor geral, reproduzindo as verdades feitas pela publicidade, trocando textos idiossincráticos (mas sempre potencialmente "ofensivos", porque há sempre alguém para ficar "ofendido" com as coisas mais inacreditáveis) por textos neutros escritos por autómatos, é lá com eles, que devem gastar fortunas em estudos de imagem e marketing. Mas se o futuro é isto, jornais limpos de conflito, de contraditório, de vozes minoritárias ou mesmo solitárias, confortavelmente plasmados na paisagem, eh pá, então mais vale acabarem já. É que não precisamos disso para nada, e mais vale ir inventando outra coisa, de preferência que envolva menos dinheiro

Blogue Grandes Sons: «Na semana que passou, um jornalista do Público teve a ousadia de escrever, numa crítica a um concerto do Super Bock Super Rock, que o estádio do Restelo costuma estar às moscas. A direcção do Belenenses escreveu uma carta ao Público a chamar boi ao jornalista e exigiu um pedido de desculpas — que aliás obteve. O mesmo jornal que, no caso das caricaturas de Maomé, considerou que as desculpas eram injustificadas, pede desculpa ao Belenenses por uma crítica musical. Américo Thomaz, esteja onde estiver, repousará com certeza satisfeito.»

publicado por Senhor Palomar às 22:08
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Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Domenico Sorrentino, bispo italiano, proibiu a encenação de Giotto ou não Giotto?, de Darío Fo, na basílica de San Francisco. O espectáculo coloca em causa que tenha sido Giotto a pintar os frescos daquele espaço. Ler no El País.
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publicado por Senhor Palomar às 10:29
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Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
Ler no DN.
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publicado por Senhor Palomar às 13:16
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009
Apesar de ser frequentemente catalogado como um longo poema patriótico, especialistas camonianos defendem que nem tudo são rosas. Ler no i.
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publicado por Senhor Palomar às 15:33
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