Este é um blogue livre de pontos de exclamação

Ilustração de Pedro Vieira
Banda sonora
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Olá, estou a estudar Português e eu aconteceram em...
Claro, tinha que ser Nan Goldin! linda foto...
Que excelente descoberta a minha. Este blog é uma ...
Nem o Godot, nem o Supra-Camões, nem o D.Sebastião...
Parabens pelo destaque nos Blogs do sapo
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Terça-feira, 27 de Outubro de 2009

Mas é péssimo com números. O Senhor Palomar agradece a atenção de tão distinto blogger, pois é pelo menos a terceira vez que refere o narrador deste blog (embora quase sempre para falar de audiências). O Senhor Palomar gosta do Maradona, o seu blogue é um bom blogue. Merece ser visto e visitado, lido de fio a pavio, relido se possível. Tem muitos visitantes, tem ainda mais visitas (convém perceber bem estes dois conceitos). Mas o Senhor Palomar não entende o porquê desta perseguição com as medições e com os tamanhos das audiências. Não que o Senhor Palomar se importe com isso, note-se. Quanto ao comentário que o Senhor Palomar parece ser a mesma coisa que o Bibliotecário de Babel, uma repetição do que já dissera antes - note-se, o Senhor Palomar agradece o cumprimento: ser comparado a José Mário Silva é para ele elogioso (embora não o seja decerto para JMS).

 

O Senhor Palomar reitera o que disse já uma vez. O Senhor Palomar não está aqui para incomodar e não quer ser uma fonte de distúrbio da ordem pública. Deseja por isso vida longa a Maradona, aos dois se possível, e espera continuar a ler aquele blogger com a sofreguidão do costume. Mais, está completamente preparado para ser olimpicamente enxovalhado por Maradona, no seu blog. Assim como assim, com as visitas que o blogue A causa foi modificada dá, pode ser que o Senhor Palomar passe a exibir um tamanho que seja mais do agrado de Maradona.



publicado por Senhor Palomar às 12:09
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Domingo, 18 de Outubro de 2009

O Senhor Palomar deseja deixar claro que, contrariamente a algumas leituras de alguns leitores, o post abaixo constitui-se como um elogio à dupla Maria do Rosário Pedreira e Ana Pereirinha. Não existia naquele testemunho qualquer ironia, crítica ou mensagem encapotada. A intenção era, tão só, elogiar o trabalho destas duas excelentes leitoras, que, por acaso, são editoras. 



publicado por Senhor Palomar às 01:05
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Terça-feira, 15 de Setembro de 2009

 

 



publicado por Senhor Palomar às 00:54
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Sábado, 12 de Setembro de 2009

Se as pessoas continuarem a adquirir Palomar, de Italo Calvino só para perceber a fixação deste narrador  pelo personagem do escritor italiano, o Senhor Palomar (a cópia rasca) garante que nunca revelará a sua  verdadeira identidade. Não esquecer, nunca, que o Senhor Palomar está ao serviço da comunidade.



publicado por Senhor Palomar às 19:20
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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

 

O trabalho é mais do que muito, as folhas por ler do escritório acumulam-se de forma assustadora, os livros também (embora não de forma tão assustadora, é certo, pois o Senhor Palomar sempre teve mais medo dos formalismos da burocracia que da criatividade dos loucos). Restam os sonhos desagradáveis ao deitar, onde se acumula o fumo dos dias, ou as cinzas dos cigarros que ficam: o senhor Palomar não sabe e tem dúvidas, mas um dos dois cenários será. Só sabe que as insónias o assolam e resta pouco tempo para ser criativo no blog (mesmo que as noites sejam mais longas do que o costume). Imagine-se até que o Senhor Palomar já recebe justos e-mails a dizerem que o seu humor está a baixar de nível (ele que nem sequer sabia que o tinha) e outros comentários onde o ofendem, dizendo coisas que o judeu não diz do toucinho (bom, talvez não tanto).

 

O Senhor Palomar anda cansado. São muitas horas acordado, linha amarela e linha verde para a frente e para trás, tira passe, mostra passe, guarda passe, pede licença, arranja lugar para sentar, tenta ler só mais duas páginas que o resto do dia é só chatices. Trabalha, muito, almoça a correr, o telefone já toca, o telemóvel até desligado soaria. E no final, tudo o que resto são mais uma horas para vir a correr para casa, a mesma correria, a mesma troca de passes, poucas páginas que se lêem. 

 

O Senhor Palomar tentará descansar. Amanhã, no expediente, com a cabeça entre as mãos e óculos escuros enfiados na cara, alegando que está a pensar. Ou, em alternativa, no fim-de-semana, se não for acordado pelo entusiasmo dos vizinhos que, de cerveja na mão, entoam cânticos e festejam os golos e os falhanços de Manuela Ferreira Leite e do Eng.º Sócrates. Já agora, o debate será transmitido em directo pela SIC, logo a seguir ao Jornal da Noite. Esta informação não tem o patrocínio da Comissão Nacional de Eleições, mas conta com a boa vontade e espírito voluntarioso do Senhor Palomar que pretende estar ao serviço da comunidade.

 

 

Imagem retirada daqui.



publicado por Senhor Palomar às 03:10
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009

O Senhor Palomar não tem segredos, embora aparentemente os tenha. Os segredos do Senhor Palomar, se os tivesse, seriam desinteressantes e dificilmente fariam vender o que Rhonda Byrne faz vender por esse mundo fora. Para perceber o que aqui se diz, bastará pensarmos que a senhora autora, e seus sucedâneos, já venderam mais livros do que caracteres que este blogue alguma vez terá.

Quem tem segredos, nesta coisa dos livros, já se sabe, é José Prata. Ex-jornalista, ex-autor (pelo menos enquanto não amadurecer mais, palavras do próprio), tem um faro pouco comum para a edição de livros e faz de cada uma das suas obras um exemplo de bem publicar. Podemos até nem gostar dos autores, dos livros, dos temas abordados (o Senhor Palomar não gosta da esmagadora maioria), mas numa coisa somos obrigados a ceder: os livros são bem feitos, são bem trabalhados, estudados ao mílimetro para facilitar a leitura. Do leitor, pois claro.

O Editor que curte o sanguinho (há que ler Os coxos dançam sozinhos, da sua autoria, para perceber a private joke) gosta também de livros e sabe como fazer para que os leitores gostem deles. E isso é tudo o que o Senhor Palomar pede a um editor: que o faça gostar, ainda mais, de livros.

Na foto vemos José Prata a ser beijado pelo Dr. Oz, autor da série You (extraído do seu facebook).


publicado por Senhor Palomar às 09:00
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Só porque o Miguel Marujo, criador de um dos três melhores blogues portugueses, o lê.

Aviso: caso cliquem no primeiro link, há uma forte probabilidade de não fazerem mais nada o resto do dia. Considerem-se avisados.


publicado por Senhor Palomar às 14:54
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
«Devo ser o único português que ainda não leu 2666 de Roberto Bolaño [...] A quantidade de gente, dos blogues, que lê, por semana, vários livros de mil e tal páginas, deixa-me sempre impressionado. Eu levei para férias (é como quem diz) a Servidão Humana (1915) do W. Somerset Maugham, porque o tinha lido aos 20 anos, e há obras que devemos reler na maturidade. Entre almoços à beira da piscina, sestas, drinks e jantares em Moledo, o livro voltou para Lisboa na p. 419, ou seja, a mais de duzentas do final, num paperback de letra miudinha. Das duas uma: ou ninguém trabalha, ou sou eu que sou lento.»

Um belíssimo texto de Eduardo Pitta, que merece ser reproduzido pela mesma blogosfera fora que está a fazer alarido do livro (e onde o Senhor Palomar se encontra). O entusiasmo, diga-se, está mais relacionado com a boa experiência por outros livros do autor, do que pela leitura deste monumental / magistral / inigualável 2666 (é escolher o melhor atributo, se faz favor). Mas o comentário é muito justo e deve ser assinalado. Mais, o Senhor Palomar esclarece que ainda não leu 2666.


publicado por Senhor Palomar às 15:44
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
- Palomar, parece que toda a gente goza contigo.
- Querida, não é toda a gente. Foi só o Maradona.
- E o Ferreira Fernandes.
- E o Manuel António Pina.
- E o Rui Tavares.
- E o Bruno Vieira Amaral.
- E…
- Chega, chega, está bem?
- O último foi o Zé Mário Silva.
- Sim. Mas esse vai de férias. Vai dar-me descanso agora.
- Levou 18 livros.
- Será que também levou os 7 volumes da Recherche? A Sara Figueiredo Costa diz que é obrigatório levar sempre os 7 volumes na mochila quando se vai de férias.
- Ele agora tem um Sony Reader. Também devias comprar um gadget daqueles. Livravas-te desta livralhada…
- Sim, sim, e a seguir livro-me de ti e…
- Pensei que eras um cavalheiro.
- …
- Sim?
- E sou. E sou. Sou um cavalheiro que gosta de livros.
- Quase tanto quanto gostas de mim.
- …
- Era nesta altura que dizias que valho mais do que livros.
- E vales querida, e vales. O problema é que tu não tens preço. Logo, não há comparação possível.
- Quase que acredito nisso. Quase.
- Quase.

publicado por Senhor Palomar às 15:14
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
«...o senhor Palomar é um tipo que vive junto à praia, provavelmente numa bela vivenda com vista mar; e que, tendo a airosa pátria 1230 quilómetros de costa, ficamos na mesma e não lhe podemos fazer uma espera ao entardecer.

Aproveito, senhor Palomar, para deixar um apelo: não faça do seu blogue coisa demasiado séria. Anda tudo muito sério por estes dias, não se deixe levar.
»

Meu caro Hélder Beja,
o Senhor Palomar deixa claro que este nunca será um espaço demasiado sério. Os livros devem ser levados com leveza, mesmo que sejam profundos. Muito a sério, mesmo que sejam de brincar. É essa, e será sempre essa, a postura deste blogue.

Aceite um abraço amigo do
Palomar.


publicado por Senhor Palomar às 22:53
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Domingo, 16 de Agosto de 2009
«O Maradona chama «chato como a potassa» ao Senhor Palomar e este, como sempre faz, cita-o no seu blogue. Há aqui hombridade e largura de vistas, diga-se: é raro aquele que é mandado à merda e pega no megafone para reverberar o dito. Sigo o blogue do Senhor Palomar, aprecio-o moderadamente (como a vários outros blogues nacionais) e por isso não estaria num clube de fãs (já se esteve mais longe). Mas uma reacção daquelas merece nota; a menos que tenha sido defensiva, para que não se dissesse que não cita críticos.» Um abraço.

O Senhor Palomar deixa claro que apenas não cita quem faz da pedra da calçada, palavra.


publicado por Senhor Palomar às 15:26
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
E o Senhor Palomar deixa claro que não destronou ninguém, muito menos Rogério Casanova. O Senhor Palomar realça o óbvio: RC é de outra liga. Superior, naturalmente.

E agora o link que importa (no blogroll praticamente desde o início): O leitor sem qualidades.


publicado por Senhor Palomar às 15:25
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
Cara Mónica Marques,

Uma coisa o Senhor Palomar pode garantir-lhe (tudo o resto não): o Senhor Palomar não é indivíduo para coçar a genitália na rua nem para cuspir no chão. Tem cuidado com os mendigos na rua e está sempre disposto a pagar-lhes uma sopa. Só usa gravata em casamentos e funerais e toma banho todos os dias, por vezes duas vezes. Não sai de casa sem colocar perfume, mas é capaz de passar o resto do dia sem se voltar a pentear. A Senhora Palomar obriga-o a passar creme hidratante na cara, mas ele por vezes esquece-se dessa tarefa. Não tem mãos finas, nem macias, nem delicadas. Tem mãos grossas, que só não são ásperas porque escreve muitas vezes em papel sedoso, com boas canetas. Para escrever esta mensagem, o Senhor Palomar usou um vulgar teclado. O que lamenta profundamente.

publicado por Senhor Palomar às 12:37
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Sexta-feira, 7 de Agosto de 2009
O Senhor Palomar deseja deixar claro que acha absolutamente deliciosas as entrevistas conduzidas por Laurinda Alves. E não há ironia aqui. Não é só o tratamento pelo tu, são as temíveis questões que deixam o Senhor Palomar extasiado. Depois de ter entrevistado Mia Couto, a cujo trabalho deu o sugestivo título de «Nunca agredi ninguém, mas já tive vontade. Não sei fazê-lo» e no qual fez a terrível questão «Quando observas os animais fazes comparações com os humanos? Ou cartografas apenas a alma dos animais?», chegou a vez de Vasco Pulido Valente:
- «Deitas-te tarde e acordas cedo ou vice-versa?»
- «És um homem experiente, sabes sempre quando estão ou não a ser verdadeiros contigo.»
- «Para além do que lês nos livros, procuras alguma coisa que te transcenda?»
- «A arte dá-te essa noção da tua dimensão?»
- «Tu não estás convencido de que és uma grande pessoa?»
- «Gostas do teu nome?»
- «De que nomes gostas?»
- «És muito crítico e muito duro com os outros. Porque é que estás sempre maldisposto?»


publicado por Senhor Palomar às 12:50
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Quinta-feira, 6 de Agosto de 2009
Mas estas coisas podem acontecer, meu caro Eduardo. Não deviam, mas podem.

Um dia o Senhor Palomar conta aqui a história de uma gralha que o persegue desde há muitos anos a esta parte. Desde esse dia, diga-se, ficou muito mais solidário com o erro humano.


publicado por Senhor Palomar às 14:48
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Pedro Vieira.

publicado por Senhor Palomar às 14:46
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Parece que o insulto e o ataque gratuito é o preço que se paga por se zelar pelas liberdades dos outros. Isto indigna, e muito, o Senhor Palomar.

publicado por Senhor Palomar às 00:05
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Terça-feira, 4 de Agosto de 2009
O Senhor Palomar tem recebido muita simpatia e tem gozado de alguma visibilidade, facto que desde já agradece. E como não faz como alguns elementos da classe política que apenas se queixam dos holofotes quando estes não lhes são favoráveis, aceita de bom grado e com fair play as regras do jogo.

Vem o intróito a propósito do contador de visitas e das dúvidas que tem suscitado a divulgação de alguns resultados, em especial este. Assim, o Senhor Palomar, depois de muito pesquisar no sitemeter (foram cerca de 30 páginas a menos que foram lidas do Álvaro de Campos que repousa ali ao lado), encontrou enfim a funcionalidade que permite que as estatísticas da plataforma estejam vísiveis para todos. É só clicar no símbolo por cima dos anúncios do Google.

Imagem retirada daqui.


publicado por Senhor Palomar às 23:49
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O Senhor Palomar recorda-se da primeira vez que lhe ofereceram um livro, mas não se recorda do momento em que o começou a ler. Sabe apenas que entre um momento e o outro, houve uma pausa, uma fase intermédia de aprendizagem e preparação, como que o avisando que dali em diante a sua vida seria diferente. Para melhor.

O Senhor Palomar sabe que sempre teve muitos livros em casa, porque era material que se comprava aos pacotes como se fosse massa ou arroz, mas não se recorda se alguma vez algum deles se estragou por falta de uso. Ainda que muitos dos livros fossem comprados com (bem) menos critério que os ditos bens essenciais. Os pais do Senhor Palomar já sabiam que este preferia um mau livro a um bom passeio. Um bom dia na praia. Um bom filme nos velhos VHS que se alugavam por 100 escudos. Por isso foram comprando livros. Um atrás do outro, formando estantes e pilhas no chão. Talvez por isso, por essa compra desenfreada para evitar comprar brinquedos (mais caros), nunca se deram ao trabalho de reflectir se dar a ler Ramalho Ortigão aos 12 e Eça aos 13 era adequado.

E ainda bem que não o fizeram, pois apesar de nessa altura o Senhor Palomar não ter conseguido ler os livros em questão, estes viriam a ser uma boa companhia anos mais tarde. Ainda bem que na altura não existia ainda Plano Nacional de Leitura, pois de outra forma seria muito popular (mas pouco maturado) dizer que o que importa é que se leia, sem olhar a quê. O que até poderá ter a sua ponta de verdade. Mas isto, apenas e só no cenário de se deixar bem claro que, por vezes, é muito bom vermos uma comédia romântica com o Tom Hanks e com a Meg Ryan. Que é confortável pensarmos que o amor é daquela forma e que no final viveremos todos juntos para sempre. No entanto, se queremos uma história de amor a sério, se nos queremos emocionar e ter a certeza que a vida é cruel e nem sempre acaba com um happy ending, então temos de ver o Casablanca. Para que nunca mais nos esqueçamos que nem Paris (ou qualquer outra cidade) nos salvará. Com um pouco de sorte, talvez um livro o faça.

Imagem retirada daqui.


publicado por Senhor Palomar às 03:08
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009
Estimado Tomás Vasques, existem muitas teorias para a sua questão. Uma delas estará certa. Para já, receba um abraço amigo do seu leitor Palomar.

publicado por Senhor Palomar às 01:27
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009
Se o Público tinha estado bem ao publicar a crónica de Alexandra Lucas Coelho de há umas semanas, na qual, esta, no seu espaço de opinião, tecia considerações sobre outra colaboradora do jornal, bem como da possibilidade de não se saber se o Público saíria no dia seguinte, agora, infelizmente, a mesma redacção (entenda-se direcção editorial) veio desautorizar aquilo que é a visão do crítico e que só a ele deveria vincular. Como o crítico não incita à violência, nem induz a comportamentos que poderíamos classificar de negativos, não se entende. Simplesmente não se entende.

Façam o favor de seguir o texto de Pedro Mexia no Bibliotecário de Babel, a propósito de uma crítica de João Bonifácio a um concerto dos The Killers. Aparentemente, a direcção do clube onde decorreu o concerto não gostou de um comentário final do crítico e protestou. O Público, no lugar de defender o direito à opinião de João Bonifácio (ligado a este jornal há muitos anos), bem como da sua própria independência editorial, pediu desculpa pela crítica.

É nesta fase que o Senhor Palomar também pede desculpa por ter comprado tantas vezes o jornal Público e com isso pagar salários às mesmas pessoas que não percebem a diferença entre um texto que classificamos como crítica e uma notícia.


publicado por Senhor Palomar às 21:37
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Pedro Vieira respondeu ao desafio e criou a imagem que faltava para dar corpo a esta ideia já amplamente debatida na blogosfera. Inspirado pela trilogia de Larsson, criou aquilo a que chamou de "the girl with the forbidding tattoo". O Senhor Palomar gosta, muito, e como tal, passará a ostentar este mesmo símbolo na barra lateral do blogue. O Senhor Palomar espera que outros blogues sigam o exemplo.


publicado por Senhor Palomar às 21:23
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Em pouco mais de 10 horas, o Senhor Palomar recebeu diversos e-mails e comentários de apoio ao apelo para que se elimine definitivamente essa praga nefasta chamada ponto de exclamação.

Francisco José Viegas propôs a criação de um «banner» para «Blogs livres de pontos de exclamação na caixa de comentários e já dissertou sobre o assunto no seu blogue: «Quanto ao ponto de exclamação, o abuso na sua utilização apenas prolonga a histeria do autor, a gritaria, e muitas vezes a sem-razão de um texto, para não mencionar a agressividade ou o gosto português pela indignaçãozinha [...] O ponto de exclamação é um excesso de ruído que não acorda ninguém, uma espécie de martelo pneumático colocado no final de uma frase.»

Diga-se que FJV, além da erradicação do ponto de exclamação, propõe o mesmo tratamento para as reticências. O Senhor Palomar subscreve também esta posição, apesar de admitir que, em situações de maior cansaço, também as utiliza.

Cprince e AnaMar, pelo que dão a entender, subscreverão a petição, caso esta venha a existir.

A sugestão do Senhor Palomar é que se comece por esse banner. Bom era que o Pedro Vieira aceitasse o desafio.


publicado por Senhor Palomar às 15:46
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Minha cara Maria João Nogueira,

leio o seu post e não posso deixar de lamentar que, nem em eventos sociais (quando deveria estar mais preocupada em perceber se a barba perfeitinha de Mia Couto é mesmo dele), a discussão «quem é o idiota do Palomar?» a largue. Isso sim, deve ser um stress.

O Senhor Palomar, já aqui o disse – pelo que não se irá repetir, não está habituado a tanto protagonismo. Contudo, não pode deixar de assinalar, e lamentar mais uma vez no mesmo post, que na mesma casa onde coabitam tantos gigantes da literatura, se esteja a discutir um Palomar que não seja o de Italo Calvino.

Grato pela sua solidariedade, ajoelho-me.

Palomar.

PS: O Senhor Palomar gostaria de deixar claro, em resposta ao segundo comentário do seu post, que não é «o filho do dono do quiosque que fica à saída do metro das Picoas.»


publicado por Senhor Palomar às 13:07
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Só por uma questão de dúvida é que o Senhor Palomar se permite usar um ponto de exclamação.

Porque não é de bom tom escrever a vermelho (há coisas que ficam da escola primária), falar alto (outras de boa educação), ou usar maiúsculas numa conversa de chat (neste caso, porque simplesmente alguém disse assim, já que a linguagem cibernética ainda não tem idade para ter maneiras), o Senhor Palomar gostaria de decretar o fim dos pontos de exclamação. Se vamos a tempo de mudar a ortografia, porque não erradicar um sinal que só nos faz lembrar que temos cordas vocais, pulmões, e que somos livres de os usar?

Toda a gente sabe que a primeira coisa a fazer para alguém nos ouvir é falar num tom baixo, quase sussurrante. Imediatamente, a outra pessoa chega-se mais, aproxima o ouvido do nosso discurso e dispõe-se a escutar com mais atenção. O ponto de exclamação tem a sua graça nos românticos e nos realistas do século XIX (Ainda o apanhamos!), mas numa altura em que o ruído tomou conta dos nossos dias (os carros fazem demasiado barulho, os comboios também, os computadores não param de murmurar, a impressora passa o tempo a cuspir papel e a televisão não se desliga nem à lei da bala) um pouco de silêncio na literatura é necessário e deve ser valorizado.

O Senhor Palomar não gosta de autores que abusam do ponto de exclamação para mostrar uma tirada inflamada. Não só porque aprecia o discurso em tom sereno, como porque considera que não raramente esse tipo de caminho estilístico esconde uma profunda incapacidade de alguém se fazer explicar. Mas pior que tudo isso é a interpretação que se rouba ao leitor: após um grito nos nossos ouvidos, ninguém mais consegue raciocinar, isso é um dado adquirido.

Se não lhe faltasse o jeito e a disponibilidade, o Senhor Palomar escreveria o manifesto e posteriormente pediria assinaturas em frente ao Metro. Erradicar o ponto de exclamação será um sinal de evolução civilizacional tão grande como não cuspir para o chão ou dizer palavrões em voz alta (a menos que se esteja no Porto e aí os palavrões são bem-vindos e devem ser não só respeitados, como estimulados – ver a semiótica da coisa aqui).

O ponto de interrogação, com a sua tendência para nos abrir os olhos com agulhas, tem tanto de delicado como ver o ex-ministro Manuel Pinho fazer corninhos no Parlamento. Lembrem-se disto da próxima vez que a mão vos fuja para a histeria.

publicado por Senhor Palomar às 03:48
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Estimada Isabel Coutinho,

Vêm os signatários pelo presente afirmar que:
1. não somos Francisco José Viegas, embora gostássemos de o ser;
2. sim, viemos para ficar. Pelo menos até ao final do ano, mais coisa menos coisa. Ou não;
3. agradecemos, humildes, as boas-vindas.

Seus,
Palomar e Palomar.


publicado por Senhor Palomar às 02:32
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Mil trezentas e onze visitas.

O Senhor Palomar, que não está habituado a estar na mira de focos de luz (sempre fugiu das objectivas das máquinas fotográficas e sempre se recusou a sequer pousar em grupo), está a estranhar a atenção que lhe estão a dar. Sobretudo em Julho - mês de férias, quando o país está a banhos e as praias estão mais lotadas que o mercado da Ribeira num sábado de manhã - sítio simpático, diga-se, onde se misturam todo o tipo de linguarejos e texturas, pese embora não tão populado quanto as livrarias, feitas feiras do livro (com o devido respeito pelas livrarias), que se mudam para o litoral, expropriando escolas primárias, mercados abandonados e ginásios à espera de Setembro. É o livro a um euro, a dois euros, promoção promoçãozinha, para ocupar os tempos livres com o livro que o pai se esqueceu de levar, pois pensou que o 24 horas seria suficiente para as muitas horas que passa a ficar mais vermelho que um adepto domingueiro do clube de Carnide. Pelo meio a criança quer estender-se ao sol, põe creme protector, faz castelos de areia, chapinha na água e dá um mergulho para o qual não pediu autorização. O pai volta a pôr o creme que a água dissolveu, a mãe a desapertar a fita do biquini, pois quer um bronze digno das revistas que compra na ida para o areal. É o gelado, é a bola de Berlim, é o livro que cai à água e fica com as páginas estragadas – mas não faz mal, foi só um euro, dois euros (promoção promoçãozinha), problema é a gasolina que não pára de aumentar (quase trezentos paus) e os restaurantes que têm a cerveja que se quer fria, à temperatura ambiente. É hora de deixar a praia e arruma-se no mesmo saco o livro com os cremes, com o chapéu da criança, as fraldas sujas e o maço de tabaco vazio. Vai tudo lá para dentro, o 24 horas é despejado no caixote do lixo (azul, claro, que o verde é para o vidro, o vermelho para o plástico e o amarelo para a lata de coca-cola que entretanto a criança pediu, e não bebeu, porque o vendedor não tinha palhinha). O livro sobreviverá àquela tarde, possivelmente àquelas férias, mas chegará a casa, juntamente com as crianças e a areia que se acumulou nos tapetes do carro, sem que mais ninguém lhe dê atenção. Não irá parar ao saco azul, pois em Portugal ninguém deita livros fora (o português pode ter dezenas de livros ainda envoltos em plástico que nunca irá ler, mas deitá-los fora é que nunca), contudo, não voltará a ser reaberto. O livro morrerá na estante, ninguém mais se vai lembrar dele. Mas daqui a uns tempos, quando mudarem de casa talvez aquele casal se lembre daquele livro. Não daquele livro especificamente – mas das férias que passaram juntos. E vendo assim as coisas, no fundo, talvez aquele livro até seja mesmo importante, pois acaba por cumprir o propósito e o objectivo final de qualquer livro (pelo menos num mundo ideal): servir de música de fundo e contexto do que mais importa.

[Imagem retirada daqui.]


publicado por Senhor Palomar às 00:49
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Quem conhece o Senhor Palomar, sabe o quanto ele gosta de uma boa partida de futebol. E livros. Já livros sobre futebol, nem todos. Embora haja alguns autores, e livros, que valha a pena ler com muita atenção - casos de Javier Marías (Publicações Dom Quixote), Eduardo Galeano (Livros de Areia) ou do nosso Luis Freitas Lobo (Primebooks).

No Brasil, decidiram juntar as duas artes e formaram a copa da literatura brasileira, na qual romances se degladiam como se de uma fase final de um campeonato do mundo se tratasse. Os resultados dos jogos, e não só, podem ser vistos aqui. Na edição anterior, e à primeira vista, entre os partipantes, estiveram alguns livros já publicados em Portugal, casos de Adriana Lisboa (Quetzal), O filho eterno, de Cristóvão Tezza (Gradiva), ou O Dia Mastroianni (LeYa Caminho). Diga-se, aliás, que a final foi disputada entre estes dois últimos adversários, com Tezza a levar a melhor sobre Cuenca por uns humilhantes 11-3.

Na edição de 2009, podemos contar com outros autores que não são desconhecidos para o público português, casos de Daniel Galera, Patrícia Melo, Moacyr Scliar, ou Paulo Coelho. A propósito deste último, já há quem fale em favoritismo e jogo viciado, ao defender que este autor deveria estar na segunda liga e que apenas se mantém à tona de água por questões em nada relacionadas com futebol.

Entusiasmado, grato a Eduardo Coelho por lhe dar a conhecer esta iniciativa, o Senhor Palomar espera agora a organização de uma iniciativa do género em Portugal. Quem dá o pontapé de saída? Estes senhores é que o podiam fazer. Ou estes. Ou estes.

[Imagem retirada daqui]


publicado por Senhor Palomar às 00:27
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009
O Da Literatura está na barra de ligações desde o primeiro dia. E não é por simpatia por Eduardo Pitta, que o Senhor Palomar não conhece pessoalmente. É por respeito intelectual. Mesmo discordando muitas vezes do poeta, escritor, crítico e estudioso, o Senhor Palomar sabe sempre porque razão não está de acordo. E essa é talvez a razão de este blog ser tão importante, (leia-se imprescindível), nas suas leituras diárias.

Ao perceber que Eduardo Pitta chegou a este espaço, e o incluiu na barra de endereços do Da Literatura, o Senhor Palomar só pode cometer o pecado mortal da vaidade e achar que está ai ir pelo bom caminho. E, por isso mesmo, pede desculpa mas não consegue deixar de esconder o sorriso meio recatado, meio vitorioso.

publicado por Senhor Palomar às 01:08
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O Senhor Palomar gostaria de anunciar ao mundo que ontem recebeu 1246 visitas. O Senhor Palomar quer deixar bem claro que esta casa (virtual) é suficientemente grande para quantos amigos queiram entrar. Para espaços curtos e sufocantes, já basta a sua anterior casa (física) que não albergava sequer a área de ficção nacional completa, obrigando a que Steiner e o Bloom, alojados numa caixa de cartão debaixo da cama, se pontapeassem pelo seu espaço (o que no caso deles, e como se sabe, não é difícil).

O Senhor Palomar está a mudar-se para uma casa (física) maior, pretende que esta casa (virtual) cresça ainda mais e fica à espera de mais visitas. Venham mais cinco. Mais dez, as que vierem por bem. Para já ganhou um almoço com Francisco José Viegas. De futuro, espera ganhar mais amigos.

publicado por Senhor Palomar às 00:41
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009
Meu caro Francisco José Viegas,

O Senhor Palomar é seu leitor. Desde há muito, deve confessar. Da prosa, mas também da poesia. Das crónicas, mesmo das heteronímicas; leva a sério os seus conselhos – de culinária, das cervejas, dos charutos. Habituou-se a ouvi-lo na rádio, a segui-lo na televisão, a vê-lo no Mãe D’Água, no Toscano, ou, por vezes, a altas horas, num bar ali para os lados do Príncipe Real, onde pedia o seu bife, pagava generosamente e saía bem-disposto, sempre educado (muito), tendo ainda tempo para, pelo caminho, entregar uma série de apertos de mão. A admiração, como já percebeu, é muita e em breve terá um sentido duplo. Por um lado a admiração, de respeito e afeição:
- pois alguém que em menos de um ano publica Chatwin, Leftah, Faciolince, Yates, em breve Bolaño, entre muitos outros, só pode causar esse efeito;

- alguém que tem defendido as letras num projecto como a LER, só pode ter atrás de si uma legião de fãs (leia-se: leitores gratos);

- alguém que sintetiza em meia dúzia de palavras os sentimentos profundos do que é perder um ente querido (Se me comovesse o amor como me comove / a morte dos que amei, eu viveria feliz), só pode aspirar a que se escrevam nas lápides portuguesas aqueles versos. Como se a salvação e memória perpétua do corpo que partiu, deles dependesse;

- alguém que escreveu um dos romances mais belos da língua portuguesa – e o Senhor Palomar não se refere ao premiado “Longe de Manaus” – só pode granjear bons sentimentos junto daqueles que passaram por África (e não necessariamente apenas por Lourenço Marques);

- alguém que continua a agir como pensa sem pensar como age, só pode fazer falta à cultura e à cidadania portuguesas, tão apagadas por estes dias.

***

E eis que se chega o segundo sentido da palavra admiração. Pois o texto que o Senhor Palomar alinhavou não é notável e o Senhor Palomar só pode levar a apreciação como sinal de generosidade de FJV. Aquele texto é um textículo. É uma coisa, uma coisinha amputada, à qual falta o brilho que o FJV sempre imprime aos seus textos, sendo capaz de sintetizar em meia dúzia de caracteres aquilo que a maior parte de nós levaria 3 páginas (e três horas) a escrever.

Não obstante, e mais tomado pela falta de vergonha que pela vaidade, o Senhor Palomar não pode deixar passar em claro a situação e lança-lhe um convite. Um almoço, pois claro. O meu amigo escolhe o local (para fumadores, evidentemente) e permita por favor que a factura, quando chegar, fique do lado deste seu criado.

O Senhor Palomar anda em mudanças, o Senhor Palomar tem a sua vida mais desorganizada que uma casa sem livros, pelo que pede-lhe apenas que esse evento, que ficará decerto na memória deste subscritor, ocorra para meados de Setembro ou Outubro, pois até lá o tempo escasseia – as solicitações para tomar controlo da água, da luz, do gás, do condomínio não dão espaço para falatar, quanto mais para conversar.

Com um abraço, ao seu dispor, despede-se e assina um humilde, um escravo, um nada notável,

Palomar


publicado por Senhor Palomar às 01:33
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Domingo, 19 de Julho de 2009
O Senhor Palomar odeia mal-entendidos, embora tenha de reconhecer que não raramente se vê em situações para as quais até pagaria para sair. O Senhor Palomar é um velho conservador (pleonasmo: tudo no conservadorismo tem de ser velho), pois ainda acha que vale a pena ser amigo do seu amigo e ser fiel à mesma mulher. Pior: corteja uma só mulher e consegue ser feliz com (ou por) isso. Jorge Amado dizia que um homem não pode possuir todas as mulheres do mundo; mas que deve tentar. A expressão faz o Senhor Palomar sorrir, mas no fundo este sabe que a mesma não faz sentido para si.

O Senhor Palomar não teve muito sexo na adolescência e talvez isso o tenha marcado mais do que gosta de admitir. Um pouco menos de leitura e um pouco mais de porqueira talvez tivessem reforçado alguns traços da personalidade que agora estão meio adormecidos. Daí este conservadorismo latente, esta omnipresente dúvida de saber o que é correcto e não é. Mas a fidelidade continua a ser-lhe importante. É um valor que lhe fala ao coração e as razões do coração o Senhor Palomar não contraria. É fiel. É fidelíssimo. Como um gato, como um cão. Como um cão com dono. E gosta de o ser, gostando de quem gosta como se o amanhã não viesse e esta noite tivesse que o dizer por escrito, para que talvez desta forma essa pessoa o creia.

Mas nos livros não e o Senhor Palomar não pode deixar de assinalar que essa é talvez uma das melhores características da prática da leitura. Na verdade, o Senhor Palomar está convencido que é a leitura que permite a muitos homens continuarem a deitar-se com mulheres feias e ainda assim achá-las belas. Noite após noite. A não as trocarem por mais ninguém. Para trocas, já bastam os livros, com os quais tudo é muito mais fácil e directo (mais fácil do que ter sexo, pelo menos). Se o livro não serve, volta para a estante que há logo outros que se acotovelam para serem escolhidos e que ainda por cima ficam gratos por os usarmos por umas horas - algo que, como se sabe, é impossível quando estamos a falar de uma mulher. Ai, ai, Se tudo na vida fosse tão fácil como escolher um bom livro.


publicado por Senhor Palomar às 01:02
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009
2666 é o acontecimento literário do ano.

Lateralmente a esta constatação, o Senhor Palomar gostaria de expressar que não alinha com o bota-baixismo de que está tudo mal, tudo mal, e que não há volta de isto dar a volta. Detesta a expressão «só neste país» ou «vê-se mesmo que é português». O Senhor Palomar não sabe o que é ser patriota, porque viu muito disparate feito ao abrigo de um valor, à partida, tão nobre. Mas está seguro que gosta de Portugal e dos portugueses, sobretudo das portuguesas. Abre o jornal e por vezes fica entristecido com algumas das coisas que vê. Mas também sabe que se algumas das coisas não fossem daquela forma, Portugal não seria Portugal. Desapareceria o napperon por cima da televisão e a unha maior no dedo mindinho. Milhares de homens de Alfama cortariam o bigode e queimariam as camisolas de cava. Miguel Sousa Tavares escreveria romances completos, o Estádio da Luz ficaria vazio e milhares de comerciantes com roulottes do courato e da imperial em copos de plástico iriam à falência, o que, em caso algum, seria bom para a economia. É certo que já não é o tempo do garrafão de cinco litros que se leva para a praia, mas o português continua a surpreender.

Diga-se, contudo, que nada do que é ser português e Portugal deprime excessivamente o Senhor Palomar. Preocupa-o por vezes, não o deprime. As coisas que o arreliam são aquelas mais prosaicas para o seu dia-a-dia que talvez passem ao lado de alguma parte da população. Como não ter um diário de referência com um suplemento literário igualmente assim classificado, dirigido por mulher inteligente, e bonita, como Isabel Coutinho. Como o Mil Folhas, portanto. Isto sim, bem mais do que ter a rua ainda pejada de cartazes das últimas eleições europeias que nenhum dos partidos veio recolher, faz o Senhor Palomar vacilar. E ficar saudoso.

publicado por Senhor Palomar às 19:15
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009
O Senhor Palomar gosta de livros. Compra livros só pelo prazer de os comprar (grandes, pequenos, com capa dura ou mole e em várias línguas). Mesmo que sejam volumes que nunca vai ler (nomeadamente os que estão em línguas que não domina minimamente, como o sueco. Coisas do IKEA de Alfragide…).

O Senhor Palomar não se importa de se ver forçado a mudar de casa por causa deles, mas gostava que houvesse subsídios ao arrendamento para quem tem demasiados livros para a casa que possui. Não gosta de entrar num espaço que está disposto a alugar e perceber que o senhorio não verá com bons olhos tanto peso a carregar-lhe o solo, ou o tecto no caso dos outros inquilinos. Por tudo isto, mas não só, depois de duas semanas à procura de uma nova casa para onde se pretende mudar e dar espaço, já se vê, aos livros, o Senhor Palomar não tem outro remédio senão decretar que só existem dois tipos de senhorios: os senhorios que gostam de livros; e os senhorios que são idiotas. Ou seja, todos aqueles que ainda não conseguiram perceber que a sua casa, alugada ao metro quadrado e apenas valorizada pela vista para o rio que fica por detrás da poeira e do prédio da frente, não é nada face aos mundos de um livro.


publicado por Senhor Palomar às 02:02
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