Este é um blogue livre de pontos de exclamação

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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Mia Couto inventa palavras e por isso passam-lhe atestado de génio e chamam-no de escritor. Já Jorge Jesus inventa muito mais palavras, une muito mais conceitos e realidades díspares, mas continua a ser visto como apenas um treinador. Só porque confunde "cerne" com "cherne". Não é justo.

Jorge Jesus tem a solidariedade do Senhor Palomar.

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publicado por Senhor Palomar às 08:53
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Terça-feira, 11 de Agosto de 2009

Saramago disse que não era profeta, mas que Portugal e Espanha se iriam unir. No site ProIberia, onde se faz uso desta citação, pedem-se apoios, apresenta-se uma bandeira para o novo país e discute-se a criação do primeiro dicionário ibérico: «o Dicionário dará destaque a palavras idênticas, quer escritas, quer orais. As duas línguas poderão convergir para uma só, caso exista vontade e empenho de todos

Olivença e Gibralter? Fácil: com a junção dos dois países num só, a questão-Olivença deixa de existir; Gibraltar: «británicos fuera!»

Simples, assim parece.
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publicado por Senhor Palomar às 02:08
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Segunda-feira, 10 de Agosto de 2009
O Senhor Palomar admira os tradutores, mesmo aqueles que são traidores. O Senhor Palomar gosta do conceito tradução, mas admite que a melhor designação, talvez seja, sub-versão. Trata-se de outra versão de um texto, esse ponto não levanta dúvidas e é Sub, como inferior, não por falta de talento do tradutor (bom, por vezes sim, mas não é desses que aqui se fala), mas porque uma cópia nunca poderá ser igual ao original. No seu todo, sub-versão, porque, enfim, um tradutor é sempre um ladrão que tem a mania de inventar e recriar as palavras dos outros.

O Senhor Palomar domina algumas línguas estrangeiras, mas sabe que demorará um pouco mais se ler o texto no original. O Senhor Palomar, embora a actualização constante deste blog o possa desmentir, tem uma vida ocupada (logo pouco tempo), e como tal, na ânsia de ler mais, lê livros estrangeiros em português, mesmo que esse texto tenha passado pelas mãos de um traidor, perdão, tradutor.

O Senhor Palomar conhece tradutores notáveis que são melhores que os escritores que estão a verter. O Senhor Palomar gosta de tradutores e admira-lhes a paciência de procurar horas e horas por aquela palavra. Tal como um autor, aliás. Nota mental: um tradutor é sempre um autor. Não é à toa que José Saramago só concebe a sua obra se analisada no conjunto da sua actividade enquanto escritor e tradutor.

Pela curta exposição, mas não só, o Senhor Palomar deseja, assim, aqui deixar o agradecimento público pela existência destes profissionais e, ao mesmo tempo em atalho de foice, deixar um apelo, um repto se preferirem, aos editores: por favor, em todos os vossos materiais editoriais ou de promoção (como newsletters), indiquem sempre o nome do tradutor. Sempre. Se não fosse o editor, não haveria a escolha daquele título, é certo. Mas se não fosse o tradutor, não havia texto. Convém não esquecer isto.

Outro dia o Senhor Palomar falará sobre a inclusão, ou não, do nome do tradutor, na capa do livro. Mas outro dia. Hoje, o Senhor Palomar está muito cansado.

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publicado por Senhor Palomar às 00:44
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009
Chega de Dan Brown, sentencia Robert McCrum. Há que encontrar os autores inovadores, os experimentalistas. Ou dito de outra forma, aqueles que já estão a escrever para a geração futura: « In books, the global marketplace seems to have crushed the spirit of innovation, and squeezed the life blood out of literary experimentation. Who are the avant-garde writers today who have retained their integrity as artists to shun the mainstream, but continue to produce new work? It must be a pretty short list, and, with the exception of a few poets, its constituents are almost totally invisible.» No The Guardian.
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publicado por Senhor Palomar às 00:28
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009
Em pouco mais de 10 horas, o Senhor Palomar recebeu diversos e-mails e comentários de apoio ao apelo para que se elimine definitivamente essa praga nefasta chamada ponto de exclamação.

Francisco José Viegas propôs a criação de um «banner» para «Blogs livres de pontos de exclamação na caixa de comentários e já dissertou sobre o assunto no seu blogue: «Quanto ao ponto de exclamação, o abuso na sua utilização apenas prolonga a histeria do autor, a gritaria, e muitas vezes a sem-razão de um texto, para não mencionar a agressividade ou o gosto português pela indignaçãozinha [...] O ponto de exclamação é um excesso de ruído que não acorda ninguém, uma espécie de martelo pneumático colocado no final de uma frase.»

Diga-se que FJV, além da erradicação do ponto de exclamação, propõe o mesmo tratamento para as reticências. O Senhor Palomar subscreve também esta posição, apesar de admitir que, em situações de maior cansaço, também as utiliza.

Cprince e AnaMar, pelo que dão a entender, subscreverão a petição, caso esta venha a existir.

A sugestão do Senhor Palomar é que se comece por esse banner. Bom era que o Pedro Vieira aceitasse o desafio.


publicado por Senhor Palomar às 15:46
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Só por uma questão de dúvida é que o Senhor Palomar se permite usar um ponto de exclamação.

Porque não é de bom tom escrever a vermelho (há coisas que ficam da escola primária), falar alto (outras de boa educação), ou usar maiúsculas numa conversa de chat (neste caso, porque simplesmente alguém disse assim, já que a linguagem cibernética ainda não tem idade para ter maneiras), o Senhor Palomar gostaria de decretar o fim dos pontos de exclamação. Se vamos a tempo de mudar a ortografia, porque não erradicar um sinal que só nos faz lembrar que temos cordas vocais, pulmões, e que somos livres de os usar?

Toda a gente sabe que a primeira coisa a fazer para alguém nos ouvir é falar num tom baixo, quase sussurrante. Imediatamente, a outra pessoa chega-se mais, aproxima o ouvido do nosso discurso e dispõe-se a escutar com mais atenção. O ponto de exclamação tem a sua graça nos românticos e nos realistas do século XIX (Ainda o apanhamos!), mas numa altura em que o ruído tomou conta dos nossos dias (os carros fazem demasiado barulho, os comboios também, os computadores não param de murmurar, a impressora passa o tempo a cuspir papel e a televisão não se desliga nem à lei da bala) um pouco de silêncio na literatura é necessário e deve ser valorizado.

O Senhor Palomar não gosta de autores que abusam do ponto de exclamação para mostrar uma tirada inflamada. Não só porque aprecia o discurso em tom sereno, como porque considera que não raramente esse tipo de caminho estilístico esconde uma profunda incapacidade de alguém se fazer explicar. Mas pior que tudo isso é a interpretação que se rouba ao leitor: após um grito nos nossos ouvidos, ninguém mais consegue raciocinar, isso é um dado adquirido.

Se não lhe faltasse o jeito e a disponibilidade, o Senhor Palomar escreveria o manifesto e posteriormente pediria assinaturas em frente ao Metro. Erradicar o ponto de exclamação será um sinal de evolução civilizacional tão grande como não cuspir para o chão ou dizer palavrões em voz alta (a menos que se esteja no Porto e aí os palavrões são bem-vindos e devem ser não só respeitados, como estimulados – ver a semiótica da coisa aqui).

O ponto de interrogação, com a sua tendência para nos abrir os olhos com agulhas, tem tanto de delicado como ver o ex-ministro Manuel Pinho fazer corninhos no Parlamento. Lembrem-se disto da próxima vez que a mão vos fuja para a histeria.

publicado por Senhor Palomar às 03:48
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