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Sexta-feira, 11 de Setembro de 2009

 

Um exemplo (páginas 30-32):

  

«Quais são exactamente os principais desafios que Darwin coloca à ideia de Deus?

São dois: um relacionado com o conhecimento e o poder divino, e outro com o amor, a justiça e a compaixão de Deus.


Relativamente ao primeiro, Darwin explicou que as diferenças relativas na adaptabilidade dos organismos são acidentais, no sentido de não serem dirigidas por uma inteligência planeadora. A alguns organismos «simplesmente acontece» virem a revelar-se mais «reprodutivamente aptos» do que outros. Este acaso nas variações sugere que vivemos num universo improvisado, desprovido de um desígnio, ou de uma orientação inteligente. Põe, portanto, em questão a nossa confiança religiosa na Divina Providência.


Relativamente ao segundo, as ideias de Darwin parecem contradizer a noção do amor de Deus, da sua justiça e da sua compaixão. A luta competitiva pela sobrevivência entre organismos fortes e fracos, ou entre os «aptos» e os «inaptos», ofende o nosso sentido de compaixão e de justiça. A «lei» da selecção natural parece tão cega e impessoal que, depois de Darwin, a teologia tem de mostrar como é que esta lei pode ser compatível com a noção de amor e de justiça divina.


Assim, a evolução põe em causa tanto a Divina Providência como a sua bondade. Ainda que os evolucionistas não possam provar a não-existência de Deus, muitos afirmarão que a crueldade da evolução se adequa mais facilmente a um universo sem Deus do que a um universo com base no poder e no amor divinos. Richard Dawkins, depois de notar como uma forma de vida pode ser tão cruel para outra, conclui: «O universo que observamos tem precisamente as propriedades que esperaríamos que teria se, no final de contas, não houvesse nenhum desígnio, nenhuma finalidade, nenhum mal ou bem, nada senão uma indiferença cega e impiedosa.»


Vale a pena notar, como é evidente, que a teologia sempre teve de enfrentar a questão de como conciliar o sofrimento e o mal com os temas gémeos do poder e do amor divinos. Esta é a eterna questão da «teodiceia». Por conseguinte, as questões teológicas principais levantadas por Darwin não são inteiramente novas. Para muitos crentes, o desafio darwiniano às noções de providência e compaixão divinas não acrescenta muito ao difícil conjunto de questões teológicas que estão já sobre a mesa. Parece relativizar-se quando colocado, por exemplo, ao lado da história da violência e do sofrimento humano, especialmente as brutalidades e os extermínios do século passado.


No entanto, Darwin e os seus seguidores puseram a descoberto um abismo de sofrimento que estava anteriormente escondido ao nosso olhar. O facto de tomarmos consciência de uma história enormemente extensa da vida e dos seus sofrimentos, antes da nossa própria — e tão recente — vinda à existência através da evolução, acrescenta uma nova voz à nossa antiga preocupação sobre o facto de Deus permitir a dor. Qualquer teologia atenta não pode hoje ignorar com honestidade a enorme escala que a ciência evolucionista dá agora à difícil questão do sofrimento inocente».


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publicado por Senhor Palomar às 00:34
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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009
Quem conhece o Senhor Palomar, sabe o quanto ele gosta de uma boa partida de futebol. E livros. Já livros sobre futebol, nem todos. Embora haja alguns autores, e livros, que valha a pena ler com muita atenção - casos de Javier Marías (Publicações Dom Quixote), Eduardo Galeano (Livros de Areia) ou do nosso Luis Freitas Lobo (Primebooks).

No Brasil, decidiram juntar as duas artes e formaram a copa da literatura brasileira, na qual romances se degladiam como se de uma fase final de um campeonato do mundo se tratasse. Os resultados dos jogos, e não só, podem ser vistos aqui. Na edição anterior, e à primeira vista, entre os partipantes, estiveram alguns livros já publicados em Portugal, casos de Adriana Lisboa (Quetzal), O filho eterno, de Cristóvão Tezza (Gradiva), ou O Dia Mastroianni (LeYa Caminho). Diga-se, aliás, que a final foi disputada entre estes dois últimos adversários, com Tezza a levar a melhor sobre Cuenca por uns humilhantes 11-3.

Na edição de 2009, podemos contar com outros autores que não são desconhecidos para o público português, casos de Daniel Galera, Patrícia Melo, Moacyr Scliar, ou Paulo Coelho. A propósito deste último, já há quem fale em favoritismo e jogo viciado, ao defender que este autor deveria estar na segunda liga e que apenas se mantém à tona de água por questões em nada relacionadas com futebol.

Entusiasmado, grato a Eduardo Coelho por lhe dar a conhecer esta iniciativa, o Senhor Palomar espera agora a organização de uma iniciativa do género em Portugal. Quem dá o pontapé de saída? Estes senhores é que o podiam fazer. Ou estes. Ou estes.

[Imagem retirada daqui]


publicado por Senhor Palomar às 00:27
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Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

O Senhor Palomar reparou agora que nunca falou da Gradiva. O que é uma tremenda injustiça. Conotada por certos públicos com a «a editora do Rodrigues dos Santos», só o olhar menos atento poderá pensar que esta é só a editora do pivot da RTP.

A Gradiva é uma das mais respeitáveis e coerentes editoras do nosso mercado, tendo feito mais pela divulgação da ciência que o Ministério correspondente em 10 anos. Sob a batuta de Guilherme Valente, tem empreendido um elevado esforço para «trocar por miúdos» conceitos que não têm de estar só no cânone dos cientistas do MIT. Quando vai buscar autores como Crato e percebemos que a Matemática está em todo o lodo ou quando nos deixa desconfortáveis depois de ler Steiner, este editor acumula funções e está, ele próprio, a assumir o papel de Ministro da Educação. E isto só para falar de dois casos. Porque há outros: Carlos Fiolhais, João Lobo Antunes, João Caraça, ou, e este é o mote do post, Eduardo Lourenço.

Eduardo Lourenço dispensa apresentações e não será o Senhor Palomar a assumir esse atrevimento (ou risco, se o leitor preferir). Mas tem atrevimento suficiente para falar da mais recente obra do ensaísta. Em «Esquerda na encruzilhada ou fora da História?», o português radicado há muitos anos em França apresenta a sua visão da esquerda política, bebendo e dissertando das suas raízes históricas, mas igualmente das suas implicações no contexto social e económico. Sem deixar, nem outra coisa se esperaria, de falar do caso Portugal. Alguns dos capítulos da obra são bem elucidativos e deixam o Senhor Palomar a salivar: A Esquerda como Problema e como Esperança», «Para uma Esquerda sem Ilusões ou A Memória Curta», ou «Do Estado como providência —(O fim de um mito?)».

Alguns dos ensaios políticos antologiados tiveram publicação em diversos meios, como o Expresso ou o Jornal, e sua escrita feita em diversas datas.

Outras obras do autor na Gradiva (mas há mais): O Esplendor do Caos (1998), Portugal como Destino seguido de Mitologia da Saudade, (1999), A Nau de Ícaro seguido de Imagem e Miragem da Lusofonia (1999), A Europa Desencantada— para Uma Mitologia Europeia (2001); Destroços— O Gibão de Mestre Gil e Outros Ensaios (2004). O Lugar do Anjo— Ensaios Pessoanos, Gradiva, 2004.

Ler mais sobre Eduardo Lourenço aqui.

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publicado por Senhor Palomar às 14:16
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