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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Escritor é um bicho violento, já sabemos. É pouco dado a benevolências para com os seus leitores e se tiver de nos dar um estalo em cheio na cara, não hesita. Escritor é um bicho violento e não se compadece com meias medidas. Vive no extremo e é do limbo que faz o seu dinheiro para colocar o pão na mesa. Porque a verdade é que sendo eles verdadeiros abutres das circunstâncias , precisam de comer como os outros. Convém não esquecer isto, para que depois possamos todos ser um pouco mais compreensivos com algumas opções (ditas) mais fáceis.



publicado por Senhor Palomar às 10:18
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Na elaboração de um livro, o autor escreve, reescreve, elimina, faz escolhas. Perde horas para encontrar uma palavra, desgasta os dias preocupado com a solução para um enigma que o livro lhe trouxe. Não descansa enquanto não tem o problema resolvido, tenta ao máximo que o original seja claro para quem o lê. Desfaz-se em palavras para que o leitor perceba que aquela era a letra que faltava.

 

Mas quantas vezes, nós leitores, conseguimos vislumbrar este esforço que só trouxe angústia ao autor? Quantas vezes o editor se preocupa com o ofício do autor se ele acha que basta colocar uma cinta, ou um autocolante, que o leitor é tão estúpido que vai ser enganado?

 

Quantas vezes?



publicado por Senhor Palomar às 13:20
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Parece que existem mais editores que editors. Parece que para alguns autores é mais confortável ter um publisher, que compram obras a autores sem as ler. O assistente editorial que se amanhe depois a pescar as ideias no meio da salganhada de frases e parvoíces. Afinal de contas é para isso que ele está. E o publisher, nestes casos, para que serve? E o autor será um verdadeiro autor? Por ligação à publicidade, poderia dizer-se que estes redactores são copys. Embora a designação mais correcta pareça ser paste.



publicado por Senhor Palomar às 08:54
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Ou jogador de futebol. Um dos dois. Assim como assim, tudo anda à volta de levantar as pessoas do seu assento, onde estão confortavelmente acomodadas, e esperar pelo aplauso. 



publicado por Senhor Palomar às 08:52
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Sábado, 21 de Novembro de 2009

 

Mentir deve estar para os escritores mais ou menos da mesma forma que as bigornas de ferro fundido estão para os ferreiro-armadores. É sobre elas que moldam as ligas de metal, tal como é usando mentiras e o encapotamento que qualquer escritor que se preze avança. A verdade é um instrumento tão maleável quanto a liga de metal fundida que dá origem ao acessório que o ferreiro molda, e que mais tarde usamos para nossa inveja e necessidade. E gáudio, já agora.

 

Bolaño é um escritor de mão cheia e como tal acha que, com a verdade, pode fazer uso da ficção para nos atirar com a bigorna à cabeça, deixando-nos débeis para toda a vida.

 

Senhor Roberto Bolaño, deste lado o Senhor Palomar deixa-lhe um recado: o facto de estar morto não lhe dá o direito de nos vir assombrar.



publicado por Senhor Palomar às 22:56
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Domingo, 15 de Novembro de 2009

Escritor é gente que não sabe amar sem meias medidas. Nem à vez, já agora. São conhecidas as muitas infidelidades de J. P. Sartre. «Não se pode dormir com todas as mulheres do mundo, mas esse esforço deve ser feito», disse-o Jorge Amado. É longa a lista, e é contemporânea esta realidade. Há um autor das Publicações Dom Quixote que está sempre reunido de mulheres. Como um íman, vejo-o trocar copos e sorrisos. Numa entrevista de vida, António Lobo Antunes (outro autor Publicações Dom Quixote) disse a João Céu e Silva que não tinha tido assim tantas mulheres. O interlocutor, que se dispôs a reunir numa longa entrevista o vasto percurso biobibliográfico do autor, colocou uma nota para o leitor que confirma que, na verdade, foram muitas. Não é que de facto, para o vulgar humano, não tivessem sido muitas as mulheres que António Lobo Antunes teve. Por isso nem o escritor estava a mentir, nem o comentário do interlocutor era despropositado. Cada um de nós vê o mundo com o seu olhar e todos nós temos bagagem quando embarcamos. Por isso, e porque António Lobo Antunes não parece ter um problema com a aritmética, o que ali se assistiu foi a diferença de mundo entre um vulgar homem e um (grande) escritor. Se nos comovemos com o que escrevem, é porque o fazem de forma exacerbada e única. E se há autores que precisam de uma musa, na verdade o que eles estão a dizer é que precisam de materializar numa ideia o mundo todo. Todas as mulheres. Uma por uma: as belas, altas, magras, mas também as gordas, as feias, as desajeitadas.

 

São conhecidas as aventuras amorosas de Lobo Antunes, em que mulheres lhe dão o número de telefone em caligrafia delicada, esperando que sejam uma das eleitas. Algumas, ao que parece muitas, são-no. Não será por isso à toa que muitos convidados acabaram por ser expulsos do local onde o escritor escrevia. Estavam a mais. O autor precisava de amar. Só mais um pouco. Uma amiga do Senhor Palomar fez uma vez uma pergunta ao autor de Manual dos Inquisidores numa sessão pública. A pergunta perdeu-se no vozeirio e nos silêncios da sala. Mas Lobo Antunes não a esqueceu: a ela nem à pergunta. No final, disse-lhe que gostara da pergunta. Estiveram 30 minutos a falar, só os dois. Durante aquele período, a amiga confirma-me que ele passou o tempo todo a olhá-la. Foram apenas 30 minutos da sua vida, mas volta e meia conta-me a história. Again and again. Ela conta sempre isto sem se importar, como se o olhar de António elevasse, ou pelo menos não pesasse. Talvez seja isso.

 

Claro que existe sempre o outro lado, bem como o machismo latente em cada uma das frases que o Senhor Palomar escreveu até aqui, coisa que o narrador não quer ser acusado pela Senhora Palomar. Ela sabe que não é assim, bem certo, porque já o conhece o suficiente, mas nada como colocar os pontos nos i. Claro que o outro lado o comove (não preocupa). Nem mesmo uma mulher independente e livre como Simone Beauvoir era capaz de lidar, sem sofrer com essa situação, com os muitos amores do Nobel francês. E é claro que tudo isto que foi dito nos primeiros parágrafos desculpabiliza uma série de choros e tristezas. Houve vidas decepadas e rotinas destruídas, que acabaram na caixa de urgências. Houve quem nunca mais dali saísse. Mas isso dá-se apenas porque ainda não percebemos que escritor é um bicho. É um bicho com mais ventrículos e aurículas que o vulgar homem. Escritor acha que ali caberá, sempre, todo o mundo. E o mais provável é que caiba mesmo.



publicado por Senhor Palomar às 18:36
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